Os governos dos Estados Unidos e Cuba anunciaram a reabertura das embaixadas para o próximo dia 20 de julho. O ato vai oficializar a reaproximação entre os dois países, que estavam de relações cortadas desde 1961. Os contatos entre o presidente norte-americano Barack Obama com o presidente cubano Raúl Castro se iniciaram desde o final de 2014.

Segundo Obama, a retomada das relações políticas e econômicas com os cubanos é um marco histórico e demonstra que os norte-americanos não precisam ficar presos ao passado.

Para a professora Renata de Melo Rosa, coordenadora do curso de Relações Internacionais do UNICEUB, a reaproximação entre EUA e Cuba representa um ganho político enorme para a integração do continente americano.

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"O cenário de guerra fria, de capitalismo contra o comunismo já está superado do ponto de vista político. Há tempos o embargo norte-americano a Cuba vinha sendo questionado em muitos organismos internacionais, inclusive na ONU. A posição que o governo americano mantinha de não dialogar com Cuba já não refletia o que queria o povo americano", diz.

"Para Cuba, é uma grande oportunidade de se modernizar e dar mais qualidade de vida à sua população. Estados Unidos são o país mais rico do mundo e tem muita coisa a oferecer à Cuba, assim como os cubanos podem auxiliar no desenvolvimento dos Estados Unidos de muitas maneiras", conclui Renata.

A professora Renata de Melo Rosa também avalia os aspectos positivos e negativos da reaproximação entre cubanos e norte-americanos. "Dentre os aspectos positivos, trata-se de uma oportunidade de pôr o povo cubano em contato com os avanços tecnológicos, a rapidez na comunicação e oferecer seus produtos e serviços aos norte-americanos.

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Dentre os possíveis aspectos negativos, pode ocorrer uma grande migração aos Estados Unidos de profissionais muito qualificados que sempre ajudaram no desenvolvimento de Cuba em busca de melhores salários", afirma.

"Se a entrada de capital norte-americano em Cuba for violenta, a reprodução de algumas condutas que a Revolução sempre combateu também podem se impor na ilha, como prostituição, tráfico de drogas, violência urbana, privatização da saúde e da educação privada e consequente exclusão dos mais pobres dos bens e serviços que doravante podem ser oferecidos em Cuba", alerta a professora.

Posicionamento de Obama

Desde o começo das conversas com Raúl Castro, Barack Obama vem sofrendo pressões da oposição, que não aceita a retomada das relações com Cuba. No entanto, o presidente norte-americano se mantém cada vez mais firme com relação a reaproximação com os cubanos. Para Bruno Saneti, professor de geografia e atualidade da Oficina do Estudante, o posicionamento firme de Obama é muito importante.

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"Foi fundamental para essa reaproximação, demonstrando uma posição mais flexível. Os interesses norte-americanos estão relacionados às possibilidades de investimento regional e a utilização da força de trabalho barata", diz Bruno, que não acredita em uma possível interferência política dos EUA no país de Raúl Castro.

"Com as posições políticas ainda vigentes em Cuba essa é uma possibilidade remota, pois os norte-americanos terão que se enquadrar a ela e não o inverso. Com o passar do tempo é possível uma maior liberdade para população em geral e o aumento da democracia, o que poderia ampliar essa influência, mas em um primeiro momento as questões políticas ficam como estão", garante Bruno. #Negócios