Três acontecimentos marcantes para os estudos do espaço ocorreram neste mês de junho. No último dia 14, a agência espacial norte-americana, NASA, divulgou em entrevista coletiva, as fotos mais recentes de Plutão, o último e menor planeta do nosso sistema solar. As 1.200 imagens, registradas um dia antes da divulgação, foram feitas pela sonda New Horizons, a 12,5 mil quilômetros, distância mais próxima do planeta "anão" atingida até o momento. A sonda viaja pelo espaço há nove anos e vai continuar o trajeto até os confins do sistema.

O segundo acontecimento marcante desses estudos foi a descoberta feita por uma equipe internacional de astrônomos, liderada por Jorge Meléndez, professor titular da Universidade de São Paulo, USP, de um planeta bastante semelhante a Júpiter, fora do nosso sistema solar.

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O anúncio foi feito no último dia 15 e gerou muita inquietação nos meios acadêmicos de astronomia, já que, a descoberta pode levar a outras descobertas ainda mais marcantes para a humanidade.

Segundo Meléndez, o planeta descoberto está numa distância próxima de uma estrela solar parecida com o nosso sol, o que pode ser que, entre um e outro, exista também um planeta semelhante a Terra, podendo, com isso, haver vida por lá. No entanto, ainda segundo o professor da USP, uma viagem para esse planeta levaria um tempo estimado de 57 anos. Ainda sim, a possibilidade de encontrar vida extraterrestre já empolga a astrônomos e estudiosos do espaço em todo o mundo.

O terceiro acontecimento foi divulgado no dia 23, também pela NASA. Trata-se do exoplaneta descoberto pelo telescópio Kepler, que foi nomeado como Terra 2.0 devido a grande semelhança com o nosso planeta.

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Por também orbitar em torno de uma estrela parecida com o sol, a possibilidade de encontrar vida, segundo os astrônomos, é ainda mais forte.

Respostas para a humanidade

Para o professor de física Wander Azanha, da Oficina do Estudante, com o avanço das novas descobertas espaciais poderemos um dia obter respostas cruciais para a humanidade. "Devido às características do planeta recém-descoberto como massa semelhante, distância relativamente parecida e quase na mesma posição do nosso Júpiter, abre-se a possiblidade de tentarmos responder muitas perguntas importantes sobre o nosso sistema. Como ele foi formado? Como evoluirá? Ele é único? E a mais relevante de todas as indagações humanas: Estamos sós num universo imenso e inexplorado? Será que somos únicos?", questiona Azanha.

"Esta descoberta pode nos revelar a existência de sistemas solares muito parecidos com o nosso. E a existência de um planeta com as mesmas características de Júpiter, pode indicar que neste sistema exista um planeta como a Terra.

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Devemos lembrar que nosso Júpiter foi e ainda é essencial para a vida aqui na Terra, pois ele age como um escudo contra possíveis bólidos ou pedras celestes que poderiam nos atingir (a gravidade de Júpiter é muito grande e ela atrai estes pequenos pedaços de pedra que vagam pela imensidão do espaço)", diz.

"Gostaria de lembrar da nossa limitação em definir vida. 'Só' temos nosso exemplo terrestre, vida baseada em carbono e água. Drake, pioneiro da era moderna na pesquisa SETI (sigla para Search for Extraterrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre) e pai da famosa equação de Drake, que estima justamente a probabilidade de encontrarmos outras civilizações, deu a única resposta concreta no momento. 'Não sabemos'", conclui o professor. #Curiosidades