Um novo escândalo de espionagem pode abalar as relações diplomáticas dos Estados Unidos. Segundo documentos divulgados pelo Wikileaks nesta sexta-feira, dia 31, a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) espionou 35 “alvos” do Japão, entre eles o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, e grandes empresas locais como Mitsui e Mitsubishi.

Em um artigo intitulado “Alvo Tóquio”, o site conhecido por vazar documentos secretos do governo norte-americano revelou que o país liderado pelo presidente Barack Obama também interceptou ligações telefônicas de entidades como o Banco do Japão, o Escritório de Gabinete japonês e importantes ministérios do governo.

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Os documentos revelam que a espionagem no Japão começou pelo menos durante o primeiro mandato do atual premiê Shinzo Abe, em 2006, e incluíram escutas em figuras como Yoshihide Suga, secretário executivo do Escritório de Gabinete japonês; Yoichi Miyazawa, ministro da Economia, Comércio e Indústria local.

A Divisão de Gás Natural da empresa Mitsubishi e a Divisão de Petróleo da Mitsui também estavam entre os alvos monitorados pelo governo-americano, o que mostra um interesse particular na relação japonesa com sua produção de combustíveis e sua relação econômica.

 

Colaboração com outros países

Os bombásticos documentos revelam ainda quatro relatórios classificados como “ultra secretos” que mostram que os #EUA contaram com a ajuda de inteligência de cinco nações aliadas para realizar a espionagem.

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Nos documentos, Austrália, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia são chamadas de “cinco olhos”.

Os documentos também mostram que os EUA tinham “conhecimento íntimo” sobre a posição japonesa em assuntos como as importações agrícolas e sas relações comerciais, as posições do país na Rodada de Doha e na Organização Mundial do Comércio, os planos de desenvolvimento técnicos internos, a política nuclear e de mudança climática japonesa e outros assuntos internos do governo do país asiático, como suas posições sobre as relações diplomáticas com os próprios Estados Unidos e com a União Europeia, e até o conteúdo secreto de uma reunião realizada na residência oficial do primeiro-ministro Shinzo Abe.

 

A opinião de Assange: “não há regras”

Criador e editor-chefe do Wikileaks, o australiano Julian Assange, refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 2012, falou sobre o caso: “Nestes documentos nós vemos o governo japonês se preocupando sobre quanto ou quão pouco falarão aos EUA, a fim de evitar enfraquecer sua proposta de alterações climáticas ou sua relação diplomática”.

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Para Assange, o Japão não tomou conhecimento sobre o que os norte-americanos poderiam fazer para assegurar sua posição como principal potência mundial. “Sabemos agora que os EUA estavam ouvindo e lendo tudo, e transmitindo as informações das lideranças japonesas para a Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido”, disse o editor-chefe.

Finalizando sua mensagem, o australiano também afirmou que o Japão fica com uma “lição” e que descobriu a única regra do jogo diplomático com os Estados Unidos.

“A lição para o Japão é essa: não espere que uma superpotência em vigilância global aja com honra ou respeito. Há apenas uma regra: não há regras.” #Mídia #Crise