Foi um longo, tenso e exaustivo processo, mas a Grécia conseguiu chegar a um novo acordo de austeridade para manter a ajuda financeira dos líderes da zona do euro. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira, dia 13, pelo presidente do Conselho da #União Europeia, Donald Tusk. Como parte do acordo, o país poderá receber um novo resgate de até € 86 milhões.

A cúpula emergencial do Eurogrupo se reuniu no domingo, dia 12, e após 17 horas de intensos debates, foi aprovado o consenso do novo acordo, que envolve uma série de novas medidas de austeridade que deverão ser aplicadas pelo governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

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Como parte da resolução, os gregos terão que realizar cortes de pensões e aposentadorias, ampliar a arrecadação de impostos sobre mercadorias, adotar resoluções trabalhistas em comum acordo com a União Europeia, renovar suas práticas financeiras, prezar pela independência do órgão que regula suas estatísticas internas e privatizar sua rede de distribuição elétrica, criando um fundo que lhe permita sanar parte de suas dívidas.

Entre as medidas a serem aplicadas nos próximos meses, o país precisará resgatar € 7 bilhões em títulos junto ao Banco Central Europeu até dia 20 de julho, e em agosto fará novo pagamento de cerca de € 12 milhões à mesma instituição financeira.

O fim do fantasma do "Grexit"

Desde o acirramento da crise, na última semana, pairava pela União Europeia os temores de um possível "Grexit", a saída do país da zona do euro que poderia acarretar em importantes consequências financeiras e sociais para o bloco.

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A possibilidade dividiu parte da EU, mas a permanência dos gregos no Eurogrupo foi celebrada após o fim da jornada de reuniões. "Desde o início insistimos que não poderíamos permitir o 'Grexit'", declarou o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Apesar das tentativas do premiê Tsipras, o possível perdão da dívida não foi aceito neste momento, mas pode voltar à pauta de discussões futuramente. O governante grego também não conseguiu afastar a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) no novo acordo, e viu o plano ser criticado em Atenas, onde economistas locais consideraram as medidas de austeridade insatisfatórias. Já para o primeiro-ministro francês, François Hollande, o acordo foi considerado um grande avanço, e Tsipras foi "bravo" por tê-lo obtido.

Chanceler da Alemanha, Angela Merkel considerou que a Grécia terá agora uma "estrada longa e difícil" para aprovar o pacote completo em seu Parlamento, mas mostrou confiança em negociar um novo resgate financeiro aos gregos assim que houver a aprovação política interna.

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#Crise econômica

Desafio interno em Atenas

Após chegar a um consenso com o Eurogrupo, Tsipras se prepara agora para enfrentar nova batalha em seu quintal. O Parlamento grego deve começar a debater ainda nesta segunda-feira sobre o novo pacote de austeridade promulgado pelo acordo com a UE, e há a tendência de fortes tensões entre o governo e a oposição, que têm criticado Tsipras recentemente pelas dificuldades em conseguir melhores condições para o país. Em sua defesa, o premiê declarou que "lutou até o final para obter um acordo que permita a recuperação do país".