O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras pediu e a população atendeu. Em referendo realizado neste domingo (5), a Grécia disse não nas urnas, rejeitando a oferta de ajuda financeira dos credores do país em troca de medidas de austeridade econômica, como corte de salários e aumento de impostos. Tsipras agradeceu a todos, independente de como votaram, e considerou o resultado uma "vitória em si mesma".

O efeito do "não" grego foi imediato. O Euro teve forte queda frente ao dólar, nas bolsas asiáticas, recuando 1,6% com relação ao fechamento de sexta feira. A crise grega não terminou hoje, parece estar só começando. O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel analisou o resultado do referendo como o rompimento entre Grécia e Europa, e considerou muito difícil imaginar novas negociações.

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Gabriel acusa Tsipras de levar o país para um caminho amargo e de desespero. Já o vice-ministro da economia russo, Alexei Likhachev, considera que foi dado o primeiro passo para a saída da zona do euro.  

Dos 10 milhões de gregos convocados para o plebiscito, cerca de 61%  votaram não, dando à equipe econômica do país respaldo para retornar à mesa de negociação e exigir reestruturação da dívida, no caso de um novo empréstimo. Pelo menos foi o que garantiu o ministro das finanças grego, Yannis Varoufakis, que voa junto com a equipe econômica, ainda neste domingo, para Bruxelas.

Os gregos sabem das dores e das delícias de fazer parte da União Européia e ter o Euro como moeda. Desde que a moeda foi adotada, a Grécia se modernizou muito. Porém, quando chegou a crise, o país não estava preparado e precisou fazer empréstimos de 240 bilhões de euros.

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Os credores internacionais, em troca, fizeram diversas exigências, entre elas impostos mais altos, corte em aposentadorias e salários mais baixos.

Conforme divulgado pela Globo News, as rígidas medidas de austeridade fez a economia encolher 25%. As pensões foram cortadas em 45%, o salário mínimo cortado em 26% e a renda média caiu 38%. E não para por aí. Uma em cada quatro pessoas não possui emprego. Metade dos jovens está desempregada e um terço da população vive abaixo da linha da pobreza.

Esse cenário dramático encorajou os gregos a romperem com o medo e a incerteza do que será uma eventual saída da zona do euro, e talvez da comunidade européia. A Grécia celebra nas ruas a vitória do "ÓXI". #União Europeia