Pela primeira vez na história, um governo consulta sua população sobre o pagamento da dívida do país, através de um referendo que aconteceu neste domingo (5).

Com uma dívida de 320 bilhões de euros, a Grécia decidiu que não concorda com as medidas de austeridade fiscal impostas pela #União Europeia (UE) em troca de ajuda financeira. Pelo resultado das pesquisas, acreditava-se que a população estava dividida e que o resultado seria perto do empate. Porém o NÃO venceu com 61,31% dos votos. Como na Grécia as votações não são obrigatórias, era preciso que 40% dos eleitores comparecessem às urnas para que o referendo fosse válido. Compareceram cerca de 65%, o que demonstra o quanto estas medidas poderiam afetar diretamente a vida do povo, com o aumento de impostos e cortes nas aposentadorias.

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O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, comemorou o resultado das urnas afirmando que "mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a democracia não pode sofrer chantagem". Ele agradeceu aos que votaram, dizendo que foi uma escolha corajosa e que esta resposta desencadeia um novo diálogo com a Europa.

Com as agências bancárias fechadas há uma semana por falta de liquidez, foi estabelecido que cada cidadão tem o direito de sacar apenas 60 euros por dia, o que causa longas filas e muita indignação. Compreensivo, Tsipras declarou que a prioridade é restabelecer o sistema bancário e a estabilidade econômica.

Agora há uma imposição aos líderes da UE, no sentido de manter a Grécia na zona do euro, sob pena de iniciar um movimento de dissolução do grupo, uma vez que outros países também estão endividados.

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Portanto o panorama indica que haverá renegociação da dívida grega.

Esta decisão causou também a renúncia do ministro das finanças, Yanis Varoufakis, que na semana passada havia chamado os credores de terroristas. Euclidis Tsakalotos, então coordenador da equipe de negociação, assumiu o cargo. Com um perfil mais diplomático, anunciou que o fechamento dos bancos será prorrogado até quarta-feira (8), quando deve anunciar alguma nova determinação.

Na Europa, a reação à reposta do povo grego foi a imediata queda nas bolsas de valores e do valor da moeda europeia em relação ao dólar. Angela Merkel, primeira ministra alemã, e o presidente da França, François Hollande, decidiram que nesta terça-feira (7) ocorrerá uma reunião entre os líderes da zona do euro para discutir a situação da Grécia.

Após a vitória dos que fizeram a campanha "Não, por uma pátria livre", resta aguardar o que vem pela frente. #Crise econômica