O sol forte do meio-dia e a chuva que caiu no final da tarde da segunda-feira (6) em Quito não desanimou milhares de fieis em suas barracas armadas à espera da entrada no Parque Bicentenário, onde o Papa Francisco rezou, nesta terça (7), a última missa durante sua passagem no Equador. Ainda era noite de domingo quando os primeiros devotos puxaram uma fila que, aos poucos, foi tomada de ansiedade e nervosismo para voltar a ver um papa tão perto 30 anos depois.

Em 1985, João Paulo II esteve em solo equatoriano e foi visto de perto pelo casal María Flores e Olivo Padilla, que repetiram o ato em 2015 e fizeram vigília na fila para ver Francisco.

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À época, a passagem de João Paulo serviu para dar um sopro de esperança aos equatorianos, ávidos por ver um governo mais transparente e preocupado com o povo. León Febres-Cordero, então presidente do Equador, fez uma gestão pautada pelos escândalos de corrupção, descaso na venda de petróleo e violações contumazes dos direitos humanos.

Chama a atenção, no atual cenário do país, a semelhança com 30 anos atrás. Há cerca de um mês manifestantes protestam insistentemente contra o governo de Rafael Correa. Discutia-se a capacidade de Francisco reunir o povo equatoriano e pedir união em prol do país. No domingo, assim que chegou no Equador, o papa recebeu demorada salva de palmas - seguidas, de pronto, por vaias a Correa. Padilla, entretanto, foge da opinião comum e defende o presidente:

"As coisas melhoraram com ele.

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O que ele não conseguiu foi unir o país. Devemos acabar com essa disputa política", afirmou o agricultor de 71 anos que, entre o trato com o campo, também encontra tempo para arrumar bicicletas.

Na fila à espera de Francisco, Padilla e sua mulher demonstravam a costumeira simplicidade. Sobre o colo, dois cobertores. Um para conter o frio do chão e outro para aquecer os corpos. Em uma das mãos de Olivo, uma imagem de gesso de Cristo. María, por sua vez, carregava alguns objetos de superstição, materializando a fé que os move, e que tanto o país necessita. #Igreja #Religião