Nas datas comemorativas, as pessoas costumam ser mais condescendentes com situações de injustiça social. Contra esta situação se levanta David Cooper, professor emérito de sociologia na Universidade da Cidade do Cabo. Ele resolve aproveitar o mês do aniversário da morte de Nelson Mandela, quando é comemorado o Mandela Day, para divulgar a continuidade de situações de desigualdade social na África.

O sociólogo publicou estudo desenvolvido junto aos alunos, sobre a continuidade da desigualdade na sociedade africana. O estudo foi desenvolvido durante o ano que passou. Foram utilizados dados sobre o processo de admissão de alunos ao ensino superior, armazenados em grandes bases de dados.

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A intenção do estudo é retornar ao processo de africanização de algumas instituições tradicionalmente brancas, atualmente estagnado. O estudo foi publicado na African Studies Quarterly.

A universidade não pode mais poder segregar candidatos por raça. Esta é a proposta revelada pela propaganda "oficial". Mas a análise dos dados mostrou que ainda existem graves desigualdades sociais. Elas permanecem latentes. O fato é demonstrado pela estagnação do processo de "africanização" universitária. Ele ocorreu em algumas universidades após a abolição do Apartheid. Foi uma quadra de tempo caracterizada por um significativo afluxo de estudantes negros ao ensino superior, com diminuição do número de estudantes brancos recrutados. A nau da igualdade social parecia navegar em mares tranquilos. Atualmente a situação é diversa com alteração dos valores observados.

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Uma confirmação clara do fato é a baixa aceitação de estudantes negros aos estudos em nível de mestrado e doutorado.

O estudo abrangeu as cinco grandes universidades, com alta qualidade de ensino (Witwatersrand, universidade de KwaZulu-Natal, Cape Town, Pretoria e Universidade Stellenbosch). Nas universidades de menor qualificação, estudantes negros continuaram a ser aceitos, mas em cursos de menor significado. São tendências que, segundo Cooper: "refletem um sistema de ensino superior que mudou desde 1988 de forma a reproduzir grave desigualdade social que reproduz a desigualdade de raça que ainda é possível observar na sociedade sul-africana. A publicação deste estudo tem como objetivo, nas proximidades do Mandela Day, ser um libelo contra esta situação. #Educação