Por cinco longos anos, a Grécia está enredada em uma #Crise econômica e assombrada pelo fantasma da expulsão da zona do euro. A saída da Grécia era quase certa neste verão no hemisfério norte, até que um acordo de última hora com os credores FMI, BCE e países da zona do euro, manteve a Grécia na União Européia, todavia, a que preço?

A resposta é de muito suor e lágrimas do povo grego. Mais medidas de austeridade dolorosa foram aplicadas a Grécia com a perda humilhante de mais um pedaço de sua valiosa e orgulhosa soberania. Como os cavaleiros do Apocalipse, as figuras sombrias da grande depressão da Grécia são muito bem conhecidas: uma contração de 25% e o #Desemprego juvenil em mais de 50%.

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Mas o tempo flui sem dar importância as histórias de sofrimento e ansiedade dos gregos.

No bairro de Nea Smyrni, habitado pela típica classe média ateniense, consegue-se ouvir o povo nas ruas, nos mercados públicos, falando sobre suas esperanças e medos para o futuro. Por exemplo, Sandy Karaiskou, pensionista de 68 anos, diz que “os bancos costumavam nos telefonar. Eles diziam: 'Tome este dinheiro e tenha férias adoráveis! Ou pegue este dinheiro e compre o carro dos seus sonhos'”.

Hoje Sandy vive sozinha, tendo trabalhado como aeromoça na Olympic Airways, companhia aérea nacional da Grécia que faliu em 2009. As pessoas perceberam que quem aceitou dinheiro, cometeu um grande erro ao cair na armadilha financeira dos grandes bancos.

Os impactos do acordo sobre os gregos, afetaram a todos, mas principalmente e de modo muito preocupante, os pequenos empresários.

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Ainda no bairro de Nea Smyrni ao se dar um pequeno giro no mercado central, encontram-se outras histórias nada esperançosas.

O padeiro Dimitris Papavassiliou esforça-se em manter a sua padaria, afirmando que a crise mudou a sua vida familiar e profissional. Se auto-questiona sobre o que vai acontecer com seus empregados e responsabiliza os governos passados como os grandes responsáveis por esta crise funesta ao dizer que “os governos anteriores não tomaram as medidas que deveriam ter tomado e não conseguiram impor as reformas necessárias”.

Um outro caso é de Pyrros Azizi, farmacêutico local, que assumiu o negócio de seu pai em 2003. O mesmo discute se sua empresa sobreviverá e fica aflito sobre o futuro de seus filhos. A Grécia tem mais farmácias per capita do que qualquer outro país da UE e essa "profissão fechada" ou protegida como monopólio nacional, se vê ameaçada com a abertura da concorrência para o mundo.

Os farmacêuticos gregos dizem que isso levaria ao desemprego em larga escala, já que o país tem dificuldades com o serviço nacional de saúde existente.

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Um terço dos clientes de Azizi são pensionistas que pagam as suas contas no final do mês quando recebem suas aposentadorias.

Como o país está sendo mergulhado à força para uma economia de mercado mais eficiente e com mais opções de escolha (espera-se também que com menos corrupção), isto acaba provocando a condução da Grécia para um contexto mais impessoal, onde os donos das lojas não darão créditos aos pensionistas que conhecem por anos.

Assim como os cavaleiros do Apocalipse continuam a cavalgar na economia, engana-se quem pensa que isto só está acontecendo de modo pontual e regional com a Grécia, pois a Espanha, Portugal, Irlanda, Itália (todo o continente) rumam a passos largos para uma recessão sem precedentes se algum milagre econômico para todos os países não acontecer.  #Europa