Um ex-oficial da Coreia do Norte foi o responsável pelas denúncias graves de violação dos direitos humanos de prisioneiros do regime comunista da Coreia do Norte.

O ex-guarda dos campos de concentração da Coreia do Norte, Ahn Myong-Chol, relatou os episódios de graves desrespeitos aos direitos humanos, no período de 1987 a 1994. A revelação foi feita à Comissão de Inquérito dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.

Os relatos são terríveis e profundamente chocantes. Estima-se que aproximadamente entre 80 e 120 mil pessoas sejam prisioneiros políticos destes campos na Coreia. O país tem atualmente a sua população estimada em torno de 24 milhões de pessoas.

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A ida para trabalhar nos campos de concentração

O pai de Ahn Myong-Chol, era um oficial de alta patente no exército coreano e por esta razão, ele começou a trabalhar desde cedo neste local.

Depois de alguns anos trabalhando para o governo, Ahn Myong-Chol, e sua família foram perseguidos  pelo regime e ele teve que fugir para a Coreia do Sul. Atualmente, o mesmo trabalha em uma ONG que luta contra a violação dos direitos humanos pela Coreia do Norte. Antes disto, ele chegou a trabalhar em um banco por algum tempo.

No campo de concentração 14 era aonde ocorriam as atrocidades contra os prisioneiros

Ahn Myong-Chol relatou que presenciou certa vez, cinco crianças serem completamente despedaçadas pelos cães dos guardas. Algumas delas, ainda estavam vivas quando foram enterradas vivas com os restos das outras que foram estraçalhadas.

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Ele relata ainda que os cães eram recompensados quando destroçavam as vítimas, com a possibilidade de matá-las.

Os guardas também eram recompensados quando matavam algum prisioneiro. Entretanto, o mesmo afirmou que nunca matou nenhum prisioneiro enquanto trabalhou nos campos. Pelas lembranças do ex-guarda, ele compara os campos de concentração coreanos aos campos de concentração nazista, na Alemanha. Segundo o mesmo, estes campos ainda existem atualmente.

As atrocidades começaram a chamar a atenção de Myong-Chol quando o mesmo trabalhou também como motorista. Era ele quem transportava as vítimas até o Campo. Ele testemunhou famílias inteiras serem presas. Os prisioneiros nunca sabiam o motivo de suas prisões.

O reencontro com um dos prisioneiros           

Ahn Myong-Chol já se reencontrou com um dos prisioneiros que ele mesmo teve que conviver: Chol Hwan Kang. Este perdoou o ex-guarda e entendeu que o mesmo foi obrigado a agir desta forma.

A comissão de inquérito das Nações Unidas conclui um inquérito de 400 páginas sobre a questão na Coreia do Norte e encaminhou um pedido de medidas urgentes ao Tribunal Penal internacional (TPI) para a adoção de sanções contra países que cometem crimes contra a humanidade.

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A Amnistia Internacional (Al) exigiu da Coreia do Norte que admita a existência dos campos de concentração de prisioneiros no país. Ela exigiu que os mesmos sejam extintos e os prisioneiros políticos sejam libertados imediatamente, assim como os familiares dos mesmos. A Al exige do ditador norte coreano Pyongyang, que ele permita o acesso das organizações de direitos humanos internacionais aos campos de concentração no país. São elas a Amnistia Internacional (Al) e as Nações Unidas.

O resultado do relatório elaborado pelas Nações Unidas deveria ter sido apresentado em 17 de março de 2014, em Genebra, na Suíça. Até o presente momento, nada foi divulgado destas ações e nenhuma punição ao regime comunista da Coreia do Norte.

             

  #Terrorismo #Violência