Infelizmente parece que 2015 será o ano de maior perigo quanto aos movimentos de migrações humanas para os países da União Européia.

Até a primeira semana de agosto, a Organização Internacional para as Migrações relatou que mais de 2.000 migrantes morreram tentando atravessar o Mediterrâneo, ultrapassando as 1.607 mortes no mesmo período em 2014. Por exemplo, a desorganização político-administrativa da Líbia, faz daquela região, uma das principais rotas de migração rumo a toda a #Europa, usando o Mediterrâneo como "estrada". Também foi na primeira semana de agosto em que eclodiu a crise Reino Unido / França com o acampamento de pessoas famintas em Calais (cerca de 3.000 migrantes) que tentam alcançar o Reino Unido.

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Estes acontecimentos na sociedade mundial globalizada, são causa e efeito ao mesmo tempo de como a UE e os seus países membros se comportam frente a essa crise humanitária miserável. As vísceras das relações colonialistas predatórias dos europeus com suas ex-colônias são expostas sem retoques, quando os “poucos” migrantes em Calais são comparados aos 175 mil imigrantes que já entraram na UE até o momento, somente neste ano.

A mídia em geral produziu reações negativas instintuais, onde até o 1.º Ministro britânico David Cameron chamou os migrantes de "enxames invasores". O irônico é que o Reino Unido não tem moral histórica sob aspecto algum para falar sobre invasões, roubos, saques e ocupação a força de terras que não lhes pertencem.

Apesar do número de concessões para asilos no Reino Unido ser o menor da Europa Ocidental, os migrantes geralmente tem algum elo de ligação com os britânicos, como o idioma e a herança pós-colonial.

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A verdade é que este ímã de atração humana também está acontecendo com a Alemanha, Suécia, Itália, Espanha, Grécia e até mesmo a Hungria, entre outros.

Há um novo “reassentamento” geográfico da Europa. Esta não é a maior crise migratória da UE, pois em 1992 houve 672.000 pedidos de asilo para a UE que incluía 15 países na ocasião. Hoje são 626 mil pedidos para 28 Estados membros. Por outro lado, a crise atual é mais desafiadora por uma série de fatores como: o período de austeridade pelo qual atravessa o continente; a ascensão de políticos de posições extremas como os esquerdistas gregos e os neo-liberais, mas ao mesmo tempo, protecionistas e xenófobos alemães e ingleses, etc.

Países vizinhos da UE também assumem uma grande responsabilidade neste caos social - Turquia, Líbano e Jordânia estão abrigando milhões de refugiados. Algumas perguntas não querem se calar.

A própria UE e outros países fora do bloco se questionam se esta mesma será capaz de promover a solidariedade entre os seus próprios Estados membros; se gerirá a política migratória com justiça, compaixão e legalidade; se realocará as pessoas em programas sociais de reinstalação abrangente; se combaterá o tráfico humano? A história revela que as respostas paras estas perguntas não são automáticas, restando ao mundo e principalmente aos personagens participantes destas ações, esperar com muita paciência e resignação.

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#União Europeia #Crise econômica