As eleições presidenciais na Argentina só acontecerão em outubro, mas as articulações políticas dos candidatos já estão em pleno vapor. No último domingo, 9, os argentinos escolheram os dois candidatos que disputarão o cargo máximo na Casa Rosada. Daniel Scioli, da coligação “Frente Para a Vitória”, aliado da presidente Cristina Kirchner, enfrentará Mauricio Macri, da chapa “Cambiemos”, e opositor ao atual #Governo.

De acordo com assessores e correligionários políticos de ambos os candidatos, o estreitamento das relações com o Brasil será uma das prioridades de governo, já que o gigante país vizinho é visto como um grande aliado político e econômico no #Mercosul e em todo o continente sul-americano.

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A implementação de um diálogo menos burocrático entre os dois países já vem sendo avaliado de ambos os lados.

O professor da UniCEUB, Gabriel Mattos Fonteles, especialista em Relações Internacionais, avalia o discurso de aproximação com o Brasil feito por ambos os candidatos argentinos. “O discurso de relações mais fluidas com o Brasil, que é encampado por ambos os favoritos na corrida presidencial argentina, é de fundamental importância, sobretudo quando observamos as relações sul-americanas da perspectiva da crise que assola os países emergentes”, diz.

“Há, contudo, de se atentar para a diferença entre intenção e gesto. A Argentina de Cristina Kirchner tomou decisões que foram avaliadas, pelos brasileiros, como unilaterais, por exemplo. Desse modo, o candidato eleito deverá lidar com rupturas nas dinâmicas externas do país para encampar um maior comprometimento com a área internacional, visando à cooperação.

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Tal decisão pode depender das dinâmicas internas políticas e dos jogos de poder partidários da Argentina. Assim, é prudente que o Brasil mantenha-se em compasso de espera no que tange à sucessão presidencial do país vizinho”, afirma Fonteles.

Mais diálogo entre os países

A carência de um diálogo mais objetivo e eficiente entre as duas maiores potenciais econômicas da América do Sul, sem dúvida alguma, é um dos pontos mais discutidos na política entre os dois países. “De fato, o diálogo entre os dois países apresenta ainda muito espaço para crescer e se desenvolver. Não aproveitar esse potencial é desperdiçar parcerias estratégicas para desenvolvimento econômico, incremento comercial e, a partir daí, para a criação de mecanismos que possam ajudar a região sul-americana (não apenas ambos os países) a enfrentar a crise e mitigar seus efeitos”, explica Gabriel Mattos Fonteles.

“Um diálogo mais intenso entre Brasil e Argentina significaria não apenas relações políticas, mas a expansão tanto do capital brasileiro como do capital argentino, pelas vias do comércio exterior e da transnacionalização das empresas e indústrias nacionais.

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É sempre bom lembrar a complementaridade econômica que os dois países apresentam, tanto em trocas de recursos naturais, quanto nos mercados consumidores. A vontade das empresas brasileiras e argentinas é franca e sincera. Resta somarem-se a elas os governos”, conclui o professor.

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