11 de março de 2011. Um terremoto e um tsunami atingem o nordeste do Japão, abalam o pilar da geração de energia através de reatores nucleares e a comunidade internacional estremece de receio. O país desligou permanentemente seis plantas e provisoriamente todas as 48 usinas nucleares para reavaliação. Teria o fantasma de Chernobyl retornado 25 anos depois?

Classificado como grave na escala INES (Escala Internacional de Acidentes Nucleares), o vazamento de material radioativo em Fukushima colocou em xeque a utilização do mesmo como fonte primária de energia e se passou a repensar a segurança do mundo à luz da segurança energética, principalmente com materiais radioativos.

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O debate foi intenso. A Alemanha, que já tinha anunciado que desativaria todas as suas usinas nucleares até 2020, acelerou o processo num curto período pós-Fukushima, porém, voltou atrás recentemente e, atualmente, das 17 usinas, apenas 8 estão fechadas.

11 de agosto de 2015. O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe coordena o religamento do primeiro reator desde o acidente. “O reator número 1 da central de Sendai foi reiniciado às 10h30 locais (22h30 de segunda em Brasília)”, anunciou à agência um porta-voz da Kyushu Electric Power. O objetivo principal: reduzir os custos com combustíveis.

Todavia, a opinião pública se encontra ainda traumatizada pelo acidente de 4 anos atrás. A usina de Sendai, na costa oeste da ilha de Kyushu, é a mais distante de Tóquio e é onde manisfestantes têm se concentrado mais regularmente para protestar contra o uso da energia nuclear, ressaltando que ela traz muitos riscos e que os planos de evacuação de usinas, principalmente em Sendai, não são claros.

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As instruções de evacuação em caso de atividade vulcânica são quase inexistentes. Em outras palavras, a grande preocupação é a segurança. Os manifestantes estão cientes de que reatores que voltaram a funcionar depois de um período de inatividade superior a 3 anos sofreram falhas técnicas e/ou tiveram que realizar paradas de emergência, fato confirmado pela Associação Nuclear Mundial.

Um religamento bem sucedido dos reatores após serem relicenciados, reequipados e rechecados sob os padrões mais rígidos seria a comprovação de que o Japão pode se “reerguer das cinzas”. Como salientado por Malcolm Grinston, pesquisador sênior do Imperial College de Londres: “o Japão precisa se reabilitar com o resto da industria nuclear mundial”.

Uma Nova Ordem Nuclear

O mercado nuclear atual se encontra bastante aquecido e a reascensão da energia nuclear no Japão só corrobora esse cenário. A problemática do uso ou não da energia nuclear, reacesa por Fukushima, demonstra que, apesar dos litígios, ainda há um grande investimento em energia nuclear, mesmo com a diminuição do uso desse tipo de energia e com o gradual crescimento de energias renováveis como a eólica e a solar.

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Uma das tendências para os próximos anos é a ampliação do ciclo de vida das usinas para até 100 anos, com o uso de novos materiais e configurações de equipamentos e sistemas, com o objetivo de reduzir custos com manutenção e aumentar a estabilidade do fornecimento. A ideia principal é se contrapor aos combustíveis fósseis, que sofrem grande variação de preços ao longo dos anos e enfrentam riscos de fornecimento de acordo com o cenário geopolítico.

Um país temeroso de instabilidades externas, por exemplo, poderia comprar  e estocar o combustível necessário para todo o período de operação da planta, o que não seria viável no caso do petróleo e do gás. A AIE (Agência Internacional de Energia) estima que a energia nuclear deva ampliar sua participação na matriz dos atuais 11% para 18% em 2050.

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