Quase todas as pessoas conhecem a expressão mundial, “com alimento não se brinca”, mas é exatamente o contrário do que vem acontecendo na Rússia do presidente Vladimir Putin, que por decretos ordenou a destruição dos alimento oriundos dos países que impuseram sanções ao seu governo pela sua política na Ucrânia. Em 06/08/2015, primeiro dia desta ordem absurda, foram destruídas 320 toneladas de alimentos -  290 de frutas e verduras e 30 de carne como se os caprichos de Putin pudessem constranger à União Européia, EUA, Canadá, Noruega, Austrália, etc. 

Os administradores russos poderiam garantir o fechamento do território nacional aos queijos, frutas e hortaliças vindos dos países vetados na crise ucraniana ou com documentos irregulares; porém, carecia de um show bem espalhafatoso e quase pirotécnico, que proclamasse o fim dos alimentos contrabandeados; tanto que facilitou a entrada da imprensa nesta ação, no mínimo sem sentido. 

A Rússia procura equilibrar a falta dos seus principais parceiros agrícolas com novos fornecedores e com sua própria produção nacional insuficiente até o momento, o que aumentou os preços em 2% na produção agrícola e diminuiu a variedade de itens.

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As imagens da máquina niveladora esmagando frutas e queijos em direção ao crematório são veiculadas nas TVs, internet e jornais. A população e até mesmo os jornalistas leais ao Kremlin reagiram com pessimismo frente à queima dos alimentos. Muitos se recordaram da fome e da escassez da União Soviética na época da guerra, “é repugnante ver toneladas de alimentos serem destruídas ao invés de serem doadas aos pobres e órfãos”, comentavam entre si. Há 22.000.000 milhões de russos vivendo abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 9.662 rublos (cerca de 577 reais), sendo que 80% deles são famílias com filhos. 

A frágil justificativa dos dirigentes russos para que os alimentos não fossem doados às instituições de caridade é a de que os outros países europeus enviaram itens de baixa qualidade à Rússia.

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Paralelamente o governo russo elogia as nações da América Latina e África por assumirem o fornecimento. O contexto é tão surreal que, por exemplo, o chefe do serviço de vigilância agrícola em Belgorod fala de um carregamento de queijo sem etiqueta como se fosse uma invasão de “drones”. Yulia Melano, secretária de imprensa da Rossselkhoznadzor (entidade encarregada da vigilância dos produtos agrícolas) se refere à “destruição mecânica em um polígono especial” de 73 toneladas de damascos e nectarinas sob suspeita. Foram destruídas 28 toneladas de tomates e maçãs da Polônia, 9 toneladas de cenouras e 28 toneladas de produtos a base de carne do Canadá, Holanda e Alemanha. 

Há no mínimo frivolidade e maldade nessas medidas mais a fertilidade de imaginação usada a fim de encontrar novos motivos para o veto. Jornalistas russos dizem que a queima de alimentos não passa de uma “palhaçada...reforçando o desprezo dos que tomam decisões pela opinião daqueles impactados de forma mais direta por elas”.

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Como diz um ditado milenar do Oriente Médio, “não é do próprio homem que anda o dirigir o seu passo”, não pelo menos na Rússia do caprichoso, volúvel e antagônico presidente, Senhor Vladimir Putin e a única esperança está escrita na própria letra do hino da Federação Russa que diz: “Tu és única no mundo (a Rússia), sem igual, protegida por Deus, nossa terra natal!” #União Europeia #Agricultura #Crise econômica