O periódico francês Charlie Hebdo volta a ser destaque. Diferentemente do que ocorreu no início do ano, quando 12 pessoas foram mortas, dentre elas 5 cartunistas e 2 policias vítimas de terroristas, dessa vez, Charlie é colocado, de uma certa forma, no banco dos réus.

O motivo? Somente ter debochado da morte do menino sírio achado morto na praia de Brodun, na Turquia, após o bote onde estava com a família ter virado.

Aylan Kurdi, o pequeno sírio que fugia da Guerra civil da Síria junto com a mãe e um irmão de 5 anos, também mortos, se tornou símbolo da maior crise de #Refugiados pós-Segunda Guerra Mundial. Aquela criança, com o rosto enterrado na areia, simbolizou um despertar no mundo, e, principalmente, na Europa, um tanto quanto reticente quanto a abrigar os habitantes fugidos das guerras.

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É importante frisar o rebuliço que a morte desse pequeno causou e traçar um paralelo com a última edição do jornal que pode ter extrapolado com um assunto tão sério e que deixou feridas tão recentes, ainda mais quando se trata de uma criança. Na sátira do jornal, o menino aparece com a cara enterrada na praia com a seguinte legenda: "Tão perto da meta", na mesma imagem, há ainda um outdoor do McDonald's, rede de fast food, com a seguinte descrição: "Dois menus pelo preço de um".

Em outra parte, o quadrinho, de uma certa forma, provoca os muçulmanos ao comparar o menino à Jesus Cristo, como os dois sendo mártires, porém, "os cristãos andam na água e os muçulmanos afundam", a imagem foi subtitulada "a prova de que a Europa é Cristã". Em outra ilustração ele aparece com um personagem de um programa de TV infantil e a mensagem mostra "Bem-vindo à ilha das crianças".

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A publicação do semanal gerou revoltas e até ameaças de ações judiciais, como do diretor de advogados negros do Reino Unido. "O jornal é uma publicação racista, xenofóbica e ideologicamente falida que representa o decaimento moral da França", declarou revoltado via twitter.

O jornal levanta uma velha polêmica: se há limite para o humor. O politicamente correto vem sendo muito criticado, mas será que o mundo está pronto para rir de sátiras de desgraças tão infames, ainda mais com crianças? #Blasting News Brasil #Crise migratória