O aquecimento global continua em ascensão, é o que releva recente relatório do CAT (Climate Action Tracker), apresentado durante reunião da ONU, em Bonn, na Alemanha. De acordo com o estudo, caso continuem no nível em que estão, as emissões de gases estufa causarão um aumento climático da ordem de 2,9 a 3,1 graus até 2100, gerando danos ao planeta que não poderão ser revertidos.

O encontro, que reuniu 195 delegados, teve como missão definir as bases para o acordo global do clima, documento que será apresentado na COP21 (21ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Paris, no mês de dezembro.

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Porém, acabou sem uma efetiva definição sobre o texto, que deverá ser reelaborado para uma nova apreciação em outubro, também em Bonn, após as sugestões trazidas nesse último encontro, realizado de 31 de agosto a 04 de setembro.

De acordo com Lucas Carvalho Pereira, diretor técnico da Iniciativa Verde, as negociações dividiram opiniões. Porém, segundo ele, o resultado final do encontro não foi bem recebido, já que “para boa parte dos ambientalistas foi mais uma postergação”.

Para o geógrafo, a diferença no grau de desenvolvimento entre as nações e os interesses econômicos acabam sendo entraves para se chegar a um acordo. “A velha dicotomia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento permanece. O problema parece ser quem vai pagar a conta da descarbonização e dos irreversíveis impactos das mudanças climáticas”, afirma.

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Um bom retrato dessa dicotomia pode ser verificado na proposta, defendida pelas nações mais pobres, de reduzir a zero a emissão dos gases estufa até a metade desse século. Diante da ideia, apesar de não terem refutado por completo, os maiores produtores de petróleo, que apresentam um grau elevado de riqueza, preferiram não se comprometer com o estabelecimento de prazos.

Apesar das discordâncias, Pereira vê o encontro de Bonn com otimismo ao considerar que apresentou avanços e espera que “a COP 21 seja a grande prova disso”. Nessa direção, é interessante apontar a postura dos Estados Unidos e da China, que, segundo relatos, se mostraram mais dispostos a contribuir para que um acordo seja realizado do que em encontros anteriores.

Responsabilidade humana

O direto técnico ainda lembra que, em 2014, a ONU já havia lançado um relatório por meio do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) que “praticamente selou a discussão sobre a responsabilidade humana no Aquecimento Global”.

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Por essa razão, ele alerta: “Se nada for feito, podemos ter um aquecimento de até 5ºC na temperatura média da Terra. Nos cenários mais otimistas, teremos um aumento de 2ºC se conseguirmos reduzir as emissões drasticamente”.

Durante as negociações em Bonn, cada país ficou encarregado de apresentar suas metas espontâneas de redução na emissão de gases. Porém, segundo a própria ONU, os valores sugeridos estão distante do necessário ao alcance da meta “otimista” de 2ºC, que é o valor pretendido com o acordo do clima de dezembro.

Atualmente, são lançadas 50 bilhões de toneladas de gases estufa na atmosfera por ano e, para que se alcance o patamar mínimo considerado adequado, é necessário que haja uma redução na emissão de 14% a 22% nos próximos dez anos e 10% a 28% nos próximos quinze anos. #Mudança do Clima