Em uma tentativa de aliviar as tensões sectárias e reprimir a corrupção no país, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, ordenou a abertura da conhecida Zona Verde, uma área fortificada em Bagdá, fechada com paredes de concreto desde a invasão norte-americana em 2003.

A medida de segurança foi tomada na época como uma meio para proteger o centro político da nação contra ataques extremistas e garantir a estruturação do governo interino no Iraque. Um processo que era planejado para ter sucesso em dois anos, mas que continua sob alerta vermelho, especialmente depois de ataques do grupo extremista Estado Islâmico (EI), que domina o norte do país.

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A área de quase 10 km2 no distrito de Karkh, na margem ocidental do Tigre - que protege artefatos históricos, edifícios governamentais, de habitação e várias embaixadas, incluindo dos Estados Unidos e Reino Unido -, tornou-se fora dos limites para o público e deve ser reaberta gradativamente nos próximos dias, reduzindo a tensão diária que residentes e funcionários tem de passar para entrar ou sair da zona fortificada, com dezenas de bloqueios, fortemente vigiados por postos de controle e tanques.

“Durante 12 anos fomos obrigados a passar por situações constrangedoras para entrar em nossas casas. Horas de checagem e revistas humilhantes”, afirma Hayder al-Obeidi, residente na Zona Verde. “É hora de sentir novamente livres e não como animais no zoológico, vivendo entre grades e barreiras de concreto, por mais segura que possa parecer”.

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Liberdade de ir e vir

A maioria dos iraquianos foram excluídos da Zona Verde, a menos que tenha permissão especial, e grandes subornos foram pagos para obter facilidade na entrada da região, de acordo com a agências de notícias internacionais. A medida segue os novos planos de governo de Al-Abadi, que pretende cortar gastos públicos, reduzindo cargos e combatendo a corrupção que tem tomado proporções incalculáveis desde o primeiro governo interino em 2004.

A medida também inclui a remoção de barreiras e postos de controle criados nas principais avenidas e ruas de Bagdá, muitas delas utilizadas por milícias e figuras proeminentes como medidas de segurança, o que muitas vezes tem colocado iraquianos em risco.

“É injusto que alguns tenham proteção e outros sejam alvos dessa proteção extrema. Enquanto iraquianos são mortos em ataques, os reais alvos continuam protegidos por quem deveria nos garantir segurança, e não nos tratar como inimigos ou suspeitos”, disse Hala Kadar, vizinha do complexo. “Bagdá é de todos iraquianos e isso inclui a zona verde”, conclui.

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