A autobiografia de Hyeonseo Lee parece um livro de história, mas não é. A norte-coreana escreveu um testemunho político que pode ser lido em forma de romance. A autora prefere chamar sua obra de "memória" e conta nas páginas que escreveu acontecimentos políticos e como abandonou, mesmo sem querer, um dos países mais fechados e misteriosos do mundo moderno.

O livro se chama "A mulher de sete nomes" e tem por subtítulo "História de uma refugiada da Coreia do Norte" e é da editora Planeta. Alguns trechos da obra são polêmicos e em uma das passagens ela disse que acreditava viver no "melhor país do mundo. Pensávamos que éramos os melhores do mundo, os mais felizes seres humanos".

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Hyeonseo ainda diz na obra que a imagem que é transmitida aos norte coreanos é de que todo o resto do mundo passa fome e que não possuem sequer sapatos para calçar.

Em 1997, quando Hyeonseo Lee tinha 17 anos, ela atravessou a fronteira do país para a China. De acordo com ela não foi por crítica ao #Governo ditatorial norte coreano ou por rejeitar, mas por curiosidade. Para a autora, conhecer a China era um sonho e depois de sair da Coreia do Norte, ao tentar regressar, foi impedida. Primeiramente foi classificada como desertora e posteriormente se tornou uma dissidente e crítica ao regime de Pyongyang.

Panos sempre à postos para limpar as fotografias dos ditadores

Hyeonseo Lee conta que as fotografias dos ditadores fazem parte da vida e estão em todas as casas dos norte-coreanos. Tudo acontece em frente das fotografia dos líderes do regime e os retratos precisam estar sempre limpos.

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Uma vez por mês uma equipe do governo, com luvas brancas, passa de casa em casa verificando a limpeza e conservação das fotografias. Se estiverem sujas, a família pode ser presa como forma de retaliação.

Livro em partes

O livro é dividido em três partes, mas composto por diversos capítulos. A primeira parte começa no nascimento e crescimento da autora ainda na Coreia do Norte, a segunda parte conta momentos de sua vida como imigrante ilegal na China e por fim os relatos de Hyeonseo Lee como refugiada na Coreia do Sul.

Ditadores entendidos como deuses

Lee conta no livro que a família Kim, que comanda a Coreia do Norte, é entendida pela população como deuses que dão motivos para que os norte-coreanos continuem vivendo e que sem eles o povo não tem razão para existir. A lavagem cerebral começa na mais tenra infância e prossegue até o fim dos dias de qualquer cidadão nascido no país.

A autora ainda diz que, quando frequentava o ensino médio, tinha aulas de matemática, arte, coreano, ética comunista entre outras, mas os temas que eram mais explorados era da vida dos ditadores.

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País com miséria e fome

Hyeonseo Lee disse que via pessoas caídas nas ruas, mortas pela fome. Muito magras, não tinham condições de sobreviver. Sua tia enviou uma carta para a família de Lee onde dizia que todos do seu vilarejo estavam morrendo de fome e que seu último desejo, antes da morte, era comer um pedaço de bolo de milho. Em 1996, de acordo com a autora, relatos de canibalismo fizeram mudar o país e Hyeonseo percebeu que pessoas com fome podem cometer loucuras.

Vida longe do regime

A autora, em sua obra, retrata que sair da Coreia do Norte e se adaptar a uma nova vida não é tarefa fácil. Muitos conterrâneos dela, que optaram por deixar o país comunista comandado sob mãos firmes da ditadura, cometem suicídio por não suportarem um mundo tão diferente do que conheciam. Após um período de adaptação difícil em que teve mais de 7 nomes e uma crise de identidade ela conseguiu se encontrar: "Encontrei-me a fazer o que faço e encontrei-me como norte-coreana" disse a dissidente e ativista anti-regime de Pyongyang.

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