Na zona rural de Bangladesh, não é difícil encontrar um intermediário para a venda de um rim por um pouco de dinheiro. A venda do órgão, tornou se comum na região de Kalai, a 300 Km da capital do país, Daca.

As "doações" em troca de dinheiro causam problemas graves de saúde no futuro e com eles vem o arrependimento.

A moradora Rawsham Ara, de apenas 28 anos, relata que tentou empregos na capital, como empregada doméstica e na indústria têxtil, mas os salários baixíssimos e a necessidade de manter o marido doente e a filha, forçaram a venda do órgão.

Segundo o chefe de polícia local, Sirajul Islam, a versão da moradora não é verdadeira e a venda do órgão é incentivada pela família, transformando-se depois em intermediária de novas doações, cobrando comissões pelos novos recrutamentos.

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Em 2015 já foram mais de 40 doadores e o número chega a 200 desde de 2005, relata o policial, outras 12 pessoas estão desaparecidas e acredita-se que tenham viajado à Índia para efetuar a cirurgia.

A própria legislação do país incentiva o tráfico interno, já que restringe a doação de órgão a familiares. Com cerca de oito milhões de Bengaleses sofrendo de insuficiência renal, pelo menos 2 mil precisam de transplante anualmente no país, o que movimenta o mercado negro.

Em 2011 uma grande quadrilha de médicos, enfermeiros e clínicas foi desmantelada no país, levando para a Índia a maioria das operações atuais.

Documentos falsos e nomes falsos são providenciados pelos agenciadores e cada vez mais pessoas atravessam a fronteira para a cirurgia.

Ara, a doadora que relatou a venda, recusa-se a dar o nome do agenciador, mas confirma ter recebido US$ 4.500, que investiu no aluguel de terras e na educação da filha que sonha em ser médica.

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Mas a saúde cobrou o seu preço e a doadora relata não conseguir mais levantar objetos pesados e que se cansa rapidamente.

Vender um rim foi um erro muito grave, hoje preciso de remédios caros que não consigo comprar, lamenta a camponesa.

Grande parte dos problemas de saúde tem relação com o pós operatório, impossibilitando o trabalho no campo. 

  #Crime #Organização Mundial de Saúde #Casos de polícia