Uma jovem mulher, acusada de ter relações sexuais antes do casamento, foi brutalmente apedrejada até a morte por combatentes talibãs na cidade de Firoz-Koh, província de Ghor, Afeganistão, depois de ter sido capturada junto com seu noivo, enquanto fugiam do lugar onde viviam para se casar. Segundo o "Mirror", a mulher afligida, identificada apenas como Rokhshana, de 19 anos, é jogada em um buraco estreito, de modo que não possa escapar. Alguns dos homens presentes começam a atirar pedras nela, enquanto um grupo de pessoas assiste à cena.

Atenção: o vídeo está com a imagem alterada devido à #Violência, mas mesmo assim contém cenas fortes.

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O policial local Mohammad Zaman Azimi culpou os militantes do Taliban pela execução, em uma declaração feita ao site Radio Free Europe/Radio Liberty, em 26 de outubro. Azimi acrescentou que o noivo da mulher, um homem de 23 anos conhecido como Mohammad Gul, foi amarrado quando capturado, mas escapou da pena de morte, uma vez que os chamados “tribunais religiosos” do Taliban atuam de uma forma muito mais branda contra os homens do que contra as mulheres.

O drama das mulheres afegãs

Mulheres solteiras no Afeganistão ficam frequentemente restritas às suas casas e são proibidas de se relacionar com homens fora de suas famílias, podendo apenas ter contato, por exemplo, com o pai ou os irmãos. Punições brutais muitas vezes são aplicadas às mulheres e meninas que infringem esta norma social afegã.

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Em um caso de destaque, ocorrido em 2012, uma menina de 16 anos de idade, na cidade de Herat, foi açoitada e depois morta, assim como seu suposto namorado.

Masooma Anwari, chefe de assuntos relacionados às mulheres em Ghor, onde ocorreu o recente apedrejamento, expressou grave preocupação com a situação na província. Ela disse que a "incompetência" das autoridades locais em matéria de governo e segurança foi o que abriu o caminho para tais incidentes, especialmente contra mulheres.

O apedrejamento foi apenas a mais recente de uma série de punições públicas em Ghor, que têm provocando indignação. Em 31 de agosto deste ano, um jovem e uma mulher considerados culpados de adultério foram amarrados publicamente.

Interpretação das leis

Em determinadas sociedades islâmicas, não há separação entre a religião e o direito, o que quer dizer que todas as leis são fundamentadas em preceitos religiosos e baseadas nas escrituras sagradas, e/ou nas opiniões de líderes religiosos. A constituição do Afeganistão prevê que "nenhuma lei pode ser contrária às crenças e provisões da religião sagrada do Islã".

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Morte por apedrejamento, nos casos de adúlteros que são condenados, é proibida sob a lei afegã. O código penal, datado de 1976, não prevê o uso de apedrejamento, mas mesmo assim este método cruel de execução ainda é utilizado.

A pena de morte já foi amplamente praticada pelo Taliban, quando o regime governou grande parte do Afeganistão no período entre 1996 e 2001. Nesta época, os adúlteros condenados eram rotineiramente apedrejados em execuções realizadas na frente de grandes multidões.

Em áreas rurais, onde militantes do Taliban exercem influência considerável, alguns afegãos ainda recorrem aos tribunais do regime para resolução de litígios. Estes tribunais talibãs, por vezes compostos por pessoas de má reputação, segundo o próprio governo afegão, empregam interpretações da lei conhecida como Charia, que prescreve punições como amputações em crimes de roubo e execuções em alguns casos de adultério. #Terrorismo #Crime