Após os ataques a Paris na sexta-feira, 13 de novembro, era aguardada com expectativa a nova manchete do jornal “Charlie Hebdo”. A redação do jornal satírico foi alvo de um ataque terrorista também este ano. A capa deste jornal ironiza e tem como ideia central o lazer, em forte alusão aos restaurantes, sala de espetáculos Bataclan e o estádio onde ocorreram esses atentados. E acaba sendo uma publicação marcada pelo tema dos ataques e cheia de humor negro.

Hoje, 18, está nas bancas a edição do jornal satírico “Charlie Hebdo”. Esta edição foi dedicada aos atentados que Paris sofreu na semana passada, que ocasionou a morte de 129 pessoas. A capa exibe uma ilustração composta de ironia e pautada de humor negro.

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Sobre um fundo vermelho, simbolicamente ligado ao massacre, há um parisiense que bebe champanhe e dos buracos de bala de seu corpo jorra champanhe, ao invés de sangue. Escrito na capa está “Ils ont les armes. On les emmerde. On a le champagne!”, em tradução livre “Eles têm as armas. Que se f...m. Nós temos o champanhe!”. A capa é da autoria da desenhista Coco.

No interior do jornal, o tom irônico das ilustrações se mantém. Numa delas lê-se “Tout est pardonné deux fois” (em tradução livre, "Estão perdoados 2 vezes"). Há também uma imagem de um casal nu que diz “Paris, capitale de la perverson?” Faites la perversion, pas las guerre!” ("Paris capital da perversão? Façam perversão, não à guerra!"). Dançarinas de cancã como alvos ou amputadas são ainda representadas nesta edição com os dizeres “Show must go on” ("O show deve continuar").

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Em referência aos homens-bomba que se explodiram perto do estádio onde acontecia o jogo amistoso, há ilustrações com a inscrição: “Poderia ter sido pior: poderíamos ter perdido o jogo.” Riss, diretor do jornal, pediu: “Não cedam, nem ao medo nem à resignação. É a única resposta possível.”

Atentado ao Charlie Hebdo

Em 7 de janeiro de 2015, a redação deste jornal também sofreu um atentado terrorista, em que 12 pessoas perderam a vida. Dois irmãos jihadistas franceses, Saïd e Chérif Kouachi, perpetraram o #Ataque e executaram funcionários do Charlie Hebdo. Vários dos principais responsáveis do jornal morreram, mas o jornal não demonstrou medo perante os terroristas. O jornal não cedeu e continua em atividade, levando a sua sátira à religião (mas não só) para as ruas. Nessa altura, a capa do jornal mostrava uma vez mais Maomé com um cartaz a dizer “Je suis Charlie” e com o título “Tout est pardonné” ("Estão todos perdoados"). #Terrorismo #Estado Islâmico