O que se deve fazer com um marinheiro bêbado? Certamente não colocá-lo no comando de um navio de carga de 7 mil toneladas e 129 metros de comprimento, para começar.

Isso foi o que aconteceu com um marinheiro russo que bebeu meio litro de rum antes do trabalho, e que conseguiu a proeza de bater o cargueiro - a toda a velocidade - na costa da Escócia, no começo do ano, de acordo com as mais recentes informações fornecidas pelos investigadores britânicos, nessa quinta-feira (19)

O resultado da investigação sobre o ocorrido, foi divulgado pela filial de Investigação de Acidentes da Marinha do Reino Unido, e constatou que o responsável pela embarcação, um marinheiro mercante de 36 anos, havia, no momento do acidente, se tornado "desatento devido aos efeitos do consumo de álcool", de acordo com o relatório. 

O navio Lysblink Seaways estava a caminho de Belfast, Irlanda do Norte, para Skogn, Noruega, quando ele bateu numa costa rochosa da Península Ardnamurchan, Éscócia, cerca de 02:30h, horário local, em 18 de fevereiro.

Quando o navio foi recuperado, foi tão danificado, que teve que ser demolido.

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Oito vezes o limite

Enquanto estava fora de serviço em sua cabine, o oficial que iria conduzir a embarcação fez uma chamada telefônica privada, que "causou-lhe ansiedade, após a qual, ele consumiu cerca de meio litro de rum", acrescentou o relatório. 

Ele então começou seu turno à meia-noite como o único oficial encarregado do navio.

A quantidade de álcool consumido pelo oficial o fez  deixar de traçar ajustes cruciais do curso, disse o relatório – e o sistema de alarme de navegação do navio, que poderia ter alertado o resto da tripulação para a sua incapacidade, não tinha sido ligado.

Um teste de bafômetro feito por um oficial da marinha britânica algumas horas após o acidente, encontrou sua medição alcoólica no ar expirado a 2,71 miligramas por mililitro de sangue – quase oito vezes o limite permitido no Reino Unido para os marinheiros profissionais. 

Regra zero álcool? Desrespeitada.

A empresa DFDS, proprietária do navio, tem uma política de tolerância de zero de álcool a bordo e era rotina realizar testes alcoólicos aleatórios e de drogas.

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Mas a investigação descobriu que a tripulação do Seaways Lysblink  mantinha um estoque clandestino de bebidas alcoólicas instalado no interior do navio, o que incluía um suprimento de bebidas destiladas, cerveja e vinho e os membros da tripulação muitas vezes desrespeitavam a regra zero álcool.

"Os registros mostraram que o estoque era reabastecido regularmente e latas de cerveja vazias, garrafas e caixas de vinhos, assim como bebidas destiladas encontradas a bordo após o acidente, indicaram níveis significativos de consumo de álcool por parte da tripulação", disse o relatório.

Também não houve evidência de que quaisquer testes aleatórios de álcool tenham sido realizados em membros da tripulação. Mas a quantidade de rum não foi a única coisa que contribuiu para o acidente, que causou o vazamento de 25 toneladas de diesel naval em águas costeiras.

A investigação também descobriu práticas de navegação pobres e uma completa falta de medidas de controle que, "se tivessem postas em vigor, poderiam ter evitado o acidente". O oficial encarregado foi demitido.

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“Nenhuma desculpa para ele”

Gert Jakobsen, um porta-voz da empresa DFDS, disse à imprensa norte-americana: "Não é um caso que já  tenhamos visto antes, mas não há desculpa para que isso tenha acontecido.”

"Todo mundo (na empresa) sabe as consequências de ter álcool no sangue ou estar na posse de álcool a bordo.” 

"Estamos felizes por não ter havido pessoas feridas durante esta situação bastante perigosa." #Curiosidades #Europa #Investigação Criminal