Quando Ronald Reagan fez o seu famoso discurso inflamando os Estados Unidos contra as drogas, a América Latina entrou no mesmo caminho, criando regras tão fortes quanto as da norte-americana. Muitos motivos levaram a isso, mas a principal razão foi o desejo de Reagan de controlar as suas fronteiras das drogas, impedindo todos os países próximos de praticarem políticas liberais em relação as drogas - principalmente a maconha e a cocaína, as mais populares em 1980, ano do famigerado discurso.

Assim, o México foi um dos principais atingidos por essas leis. Seus campos que tinham grande facilidade para a produção de Marijuana, erva originária do fumo, viraram estações de grupos que aproveitaram as proibições para enriquecerem com a droga.

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O país se viu comandado por poderosos traficantes que enriqueciam mandando seu produto exatamente para o país vizinho, onde, graças as proibições, o valor da maconha tinha crescido vertiginosamente.

Incentivados pelos #EUA, os governos mexicanos criaram guerras intermináveis com os traficantes e o México se viu em uma constante #Guerra Civil. Em nenhum lugar do mundo se morre mais por causa do tráfico do que no país da tequila, ao mesmo que ele é um dos que menos consome maconha no mundo.

Agora, 35 anos depois de uma guerra sem vencedor, a Suprema Corte mexicana está disposta a colocar um ponto final nessa história. A primeira ação é a simples liberação para um pequeno grupo de mexicanos da plantação e o consumo caseiro - o que é passível de encarceramento pelas leis anteriores. O grupo é formado por ativistas que defendem a liberação da droga em todo o país.

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Apesar de pequena, a vitória significa muito para um México que até agora se negava a avançar nesse tema. Esse é, possivelmente, a primeira cartada na briga contra a destruição social causada pela guerra às drogas, e significa uma mensagem importante para toda a América Latina, em busca de uma continente capaz de avançar em direção oposta à guerra civil.

O presidente do país, Enrique Peña Nieto, diz que respeita as decisões do tribunal e espera que esse movimento permita o crescimento dos debates sobre o tema para que se chegue a um consenso nacional.

É importante lembrar que dois países sul-americanos já liberaram a Maconha para consumo individual: Chile e Uruguai. Enquanto os chilenos liberaram o consumo e a plantação individual, o projeto uruguaio cria uma rede de consumo e um mercado controlado pelo governo para manter a população livre para consumir. Em ambos os países, as regulamentações foram um sucesso e as disputas de tráfico diminuíram consistentemente.

Enfim, o México dá um exemplo de como se pensar uma sociedade em busca de paz e respeito entre pessoas, sem a necessidade de luta em guerras absurdas e um encarceramento excessivo dos cidadãos.  #Inovação