Niklas Frank, de 76 anos, tem lembranças terríveis do falecido pai. Isso por que seu genitor - Hans Frank - era advogado do temido Führer alemão Adolf Hitler. A parceria era tanta que Hans foi promovido à Governador-Geral na Polônia ocupada pelos nazistas.

Entre as antigas fotografias de família, está a do pai logo após ser morto por enforcamento - punição por matar mais de 3 milhões de pessoas nos campos de concentração poloneses. "Eu tinha raiva dele. Amava mais o Hitler do que a própria família. Niklas não se refere apenas à  lealdade exagerada ou admiração cega. Ele lembra quando o pai tentou divorciar-se de sua mãe e ela implorou a Hitler para intervir.

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O Führer ordenou-lhe que ficasse com sua esposa e os quatro filhos até o fim da guerra. Frank concordou imediatamente, desesperado para agradar o seu líder.

Estes fatos o levam a crer que seu pai era gay e que seu amor oculto por Hitler o levou a cometer os crimes mais horríveis na #História . "Eu diria que meu pai era um homossexual escondido. Tenho cartas que recebeu de dois professores em Munique que eram mais do que amigáveis. E um psicólogo de Nuremberg disse achar que ele tinha tendências homossexuais. Frank ainda pediu para Hitler apadrinhar o filho: Niklas revelou que ganhava muitos presentes do padrinho, comprados com objetos de valor roubados dos judeus.

Frank era um dos primeiros recrutas nazistas de quando a Alemanha invadiu a Polônia, em 1939. Ele acumulou uma incrível coleção de arte, roubada do Castelo de Wawel em Cracóvia, onde viveu com sua família. Frank ordenou o extermínio de judeus e mandava que seus oficiais "colocassem de lado qualquer sentimento de piedade e aniquilassem os judeus". Ele foi responsável pelo envio de três milhões de pessoas para os campos de concentração.

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Niklas só foi entender os crimes de seu pai depois de sua prisão, em maio 1945 - quatro dias antes do fim da guerra. "Os jornais começaram a imprimir fotografias de montanhas de cadáveres. Alguns eram crianças da minha idade. Eu me senti mal". Frank foi um dos 12 líderes nazistas condenados à morte em Nuremberg.

Depois da prisão do pai, a situação financeira da família ficou difícil, a ponto da mãe de Niklas teve de vender uma  joia roubada de um judeu para conseguir comprar comida. Antes de  Hans Frank ser enforcado, em outubro de 1946, Niklas foi autorizado a vê-lo em sua cela durante 10 minutos. Ele fez um pedido final de seu filho: orar por ele em uma pequena capela perto de sua casa, na Baviera.

Desejo esse que Niklas, até hoje, nunca cumpriu. "Eu nunca orei por ele", diz ele, rancoroso. "Eu estava muito triste. Eu não sinto nenhuma afeição por ele. A cada ano que passa e cada novo detalhe que eu conheço sobre ele, eu o odeio ainda mais". Seu irmão mais velho, Norman,  compartilha o desprezo pelo pai.

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Por um período, chegou a se recusar a ter filhos, com medo de criar outro monstro. "Ele costumava dizer o filho de um criminoso de guerra não tem permissão para ter filhos."

Niklas não compartilha do mesmo ideal. Ele teve três filhas e três netos, e todos sabem o que o pai dele, Hans Frank, fez.  Ele se recusa a esconder o seu histórico familiar, e até mesmo concordou em participar do documentário "Meu legado nazista", recém-lançado nos cinemas.

  #Guerra Civil