Em entrevista exclusiva à Blasting News Brasil, Ricardo Oliveira dos Santos, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), avaliou o cenário mundial após os ataques do #Estado Islâmico em Paris e comentou de que forma o Brasil pode ser afetado dentro deste quadro. Abaixo, a íntegra da entrevista.

Blasting News Brasil: O Brasil historicamente se mantém em uma posição neutra com as tradicionais guerras envolvendo o Oriente Médio. Você acha que, dessa vez, seria prudente tomar uma iniciativa e se posicionar de forma decisiva sobre a questão Estado Islâmico?

Ricardo Oliveira dos Santos: Historicamente o Brasil assume uma posição de não interferência e não intervenção nos assuntos de soberania interna dos Estados nacionais.

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Desta forma, o governo brasileiro procura fortalecer instrumentos multilaterais para gestão e resolução de conflitos, como é o caso das Nações Unidas - principalmente. Através desta orientação busca-se alcançar o máximo possível de legitimidade e efetividade em um possível desdobramento militar, policial e civil em qualquer região do sistema internacional. No ano passado, inclusive, a presidente Dilma Rousseff, durante o seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas reforçou a necessidade de diálogo entre todas as partes relevantes no âmbito diplomático multilateral para se alcançar um processo de paz significativo na Síria e na região do Oriente Médio. Diante da perspectiva em tela, é necessário, portanto, manter um diálogo com Estados nacionais e atores da sociedade civil de modo a se alcançar ações concretas para o estabelecimento de um quadro pacifico no curto, médio e longo prazo para superar o terrível clima de terror avançado pelo Estado Islâmico.

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BN: Em novos vídeos após a fatídica sexta-feira 13, o EI garantiu que iria disseminar os seus ataques para outras localidades da Europa. Você teme e acredita que o #Terrorismo poderá chegar ao continente sul-americano?

RS: É sempre uma possibilidade que se apresenta, já que estamos diante de uma tática de conflito que não define claramente o seu campo de atuação. Os Estados Unidos, por sua vez, desde os atentados de 11 de setembro enfatizam que a relação entre o terrorismo e o crime organizado podem potencializar o risco de uma ameaça na região sul-americana. Visão esta que enfrenta embates entre os estados da região. Mesmo assim há uma importante cooperação em curso para monitorar possíveis ameças terroristas na região.

BN: O Brasil, no ano que vem, receberá os Jogos Olímpicos, evento de grande porte mundial. De forma direta e clara, pergunto: o nosso país poderá sofrer um #Ataque terrorista?

RS: Mais uma vez: é uma possibilidade que se apresenta. Diferente de um estado nacional ou um grupo armado circunscrito em uma região geográfica específica, as células terroristas são difusas e estão presentes em localizações diversas no sistema internacional.

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Adicionalmente, suas ações se baseiam em planejamentos, na maioria dos casos, desconhecidos pelos principais serviços de inteligência do mundo. É preciso estar atento com os desdobramentos após os casos de Paris.