Será que o presidente da Turquia, Recep Erdogan, percebeu que talvez tenha “cutucado a onça com vara curta” quando deu aval para a derrubada de um avião de guerra SU–24 da Rússia por um F-16 da Turquia? Dias depois, o turco veio a público e disse que está “entristecido" pelo desastre aéreo e que intencionava que tal fato não tivesse se desenrolado.

É a 1ª manifestação de pêsames do governante turco desde a queda do avião de combate russo em 24/11, sob o pretexto de que o avião havia adentrado no espaço aéreo turco e que havia sido sinalizado muitas vezes para reorientar o seu voo. Enfim, em mais de 50 anos, essa é a 1ª vez que um país pertencente a OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, destrói um avião da Rússia, resultando em uma resposta ameaçadora dos russos.

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Erdogan, ao discursar para correligionários em Balikesir, situada no oeste turco, expressou que “os turcos estão de fato entristecidos com o incidente e que o desejo é que não tivesse ocorrido; entretanto, aconteceu de modo trágico, onde os turcos desejam que isso não se repita”. O turco instou ainda que tanto a Turquia quanto a Rússia não devem dar vazão que o abate do avião crie um conflito maior entre as duas nações, o que teria “consequências tristes” para todos.

Ele reiterou o pedido urgente de reunir-se paralelamente com o presidente Vladimir Putin no período da COP 21, que é a conferência da Organização das Nações Unidas em função das alterações do clima, que tem início em Paris no dia 30/11. As palavras “doces” de Erdogan apontam, na realidade, para uma alternância de postura, uma vez que o mesmo Erdogan anteriormente foi um defensor ferrenho do exército turco, criticando severamente os interesses da Rússia na Síria.

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Uma outra autoridade turca, Ahmet Davutoglu, que é o 1º Ministro, falou que almeja que a reunião entre Erdogan e Putin se dê em Paris, a saber: “em situações como esta, o crucial é a manutenção aberta dos canais de comunicação”.

Putin, por sua vez, confirmou de que a ação turca representava uma "punhalada traiçoeira nas costas", e insistentemente diz que o SU-24 russo foi sim derrubado na Síria, caracterizando a violação do direito internacional por parte dos turcos. O russo negou-se a atender, por duas vezes, telefonemas de Erdogan, onde, Yuri Ushakov, assessor de Relações Exteriores de Putin, confirmou que o governo do Kremlin recebeu a solicitação de Erdogan para um encontro com seu colega russo.

A explicação do assessor para que Putin não atendesse as ligações foi de que "não houve por parte da Turquia um pedido de desculpas formal e imediato pelo abate do avião russo". Tanto é, que logo depois do incidente, Putin determinou a implantação de sistemas de mísseis de defesa aérea S-400, que têm longo alcance, em uma base russa na Síria, a somente 50 km ao sul da fronteira turca, no sentido de defender os aviões de guerra da Rússia.

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Ainda foi dito por parte dos militares russos que os mesmos abaterão qualquer espécie de alvo aéreo que represente alguma ameaça para seus aviões.

A restrição do acesso dos turistas turcos a Rússia, o abandono de caminhões turcos na fronteira e o confiscar de toneladas de alimentos importados pelos turcos, foram algumas das retaliações realizadas por Moscou. A Rússia, neste momento, está preparando sanções econômicas mais duras contra os turcos. O governo da Turquia aconselhou os cidadãos turcos que posterguem qualquer viagem à Rússia, até que tudo possa estar mais transparente. #Ataque #Crise #Acidente