Desde que entrou no conflito, a Rússia se tornou o centro das negociações, dada as suas ligações ao regime de Assad e às forças do Hezbollah, algo que todos os outros países e organizações sentados à mesa das negociações não têm. Os esforços dos russos não estão restritos aos bombardeamentos de apoio às forças militares da Síria e do Hezbollah, na luta contra o Estado Islâmico, e exemplo disso, foi o esboço de acordo proposto por estes para resolver a crise da Síria.

Apesar da celebre aliança com Assad, a Rússia não procurou garantir a permanência de Assad na presidência da Síria, a título indeterminado. Putin defende um período de transição onde Assad continuaria no poder, mas que o cargo de presidente iria, mais tarde, ser submetido a #Eleições, às quais o atual presidente poderá concorrer.

Publicidade
Publicidade

É precisamente este o ponto que os membros da oposição Síria recusam, nas palavras de Monzer Akbik, membro da Coligação Nacional Síria, apoiada pelo Ocidente: "O povo sírio nunca aceitou a ditadura de Assad e não vão aceitar que esta seja reintroduzida ou reformulada de outra forma".

Pondo de parte a permanência de Assad, a proposta de Moscou detém elementos que dão origem a um debate que pode ser produtivo, sendo eles:

  • Início de um processo de reforma constitucional que levará até 18 meses;
  • Formação de uma comissão constitucional, que abranja todos os elementos da sociedade síria, onde todos os membros concordem com os participantes. (Já foi afirmado que Assad estaria fora desta comissão);

  • Submeter o rascunho da Constituição a referendo popular;
  • Adiar as eleições parlamentares, marcadas para a Primavera de 2016, e fazê-las coincidir com as eleições presidenciais, com base na nova constituição;

  • O presidente, eleito popularmente, será o comandante chefe das forças armadas, controlando a política externa e as forças especiais. (Moscou acredita que são as fortes estruturas estatais, com um domínio concentrado, são a fórmula para resistir a revoluções e grupos terroristas).

Para além destes pontos, a comissão russa defende que a delegação da oposição nas negociações políticas "tem de ser acordada antes, incluindo a base de preparação dos respectivos grupos para partilhar metas na prevenção de terroristas chegarem ao poder na Síria e de garantir a soberania, integridade territorial e independência política da Síria, bem como o caráter secular e democrático do Estado".

Publicidade

É fácil encontrar elementos que favoreçam o retorno do regime de Assad ou, pelo menos, a sua permanência em um estatuto provisório, sem prazos definidos. As dificuldades levantadas à existência de uma oposição, que reúna todas as exigências russas, também estão presentes neste documento, no entanto, este esboço representa um novo avanço na procura por uma solução para a crise da Síria, algo que apenas os russos conseguiram alcançar. #Estado Islâmico #Guerra Civil