Observando as fotos publicadas pela organização terrorista Estado Islâmico (EI), onde sempre aparecem fortemente armados, não se pode ter a real dimensão do poder digital desse grupo.

Conforme publicado no portal G1, os jihadistas do EI praticam uma nova forma de terror, bem diferente daquela a que o mundo está acostumado a combater. Usam meios digitais para recrutar "soldados", para divulgar, amplamente, propagandas do grupo e articular ataques. Tudo em tempo real.

Segundo especialistas, o #Estado Islâmico usa os meios digitais de forma sem precedentes, o que levou os Estados Unidos a chamarem suas ações de "#Terrorismo viral". O grupo usa a tecnologia e sites hospedados naquele país, não só para fazer propaganda dos seus feitos e dos benefícios de se tornar um membro do grupo, mas também para encorajar jovens a executar ataques terroristas, meticulosamente, planejados pela organização.

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Para os menos antenados em tecnologia, a forma de comunicação dos terroristas pode passar despercebida ou simplesmente ser considerada "normal" no mundo virtual, mas na verdade trata-se de mensagens criptografadas enviadas por WhatsApp e Telegram. Selfies postadas no Instagram, hashtags disseminadas no Twitter ou vídeos no YouTube. Essas ferramentas digitais e as funções das redes sociais são utilizadas, fortemente pelo EI, maximizando todas as vantagens decorrentes da #Internet.

O Twitter é um dos canais de comunicação preferido por exibir mensagens abertas a todos. O Brookings Institute identificou, em março deste ano, 46 mil contas de simpatizantes ou militantes do Estado Islâmico. Desse total, em 75%, o árabe aparece como o idioma primário. Já o inglês aparece como idioma dominante, em um quinto das contas.

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Pesquisadores dizem que as contas são usadas não só para pregar para convertidos, mas também para atrair curiosos e apoiadores aos ataques.

Já a plataforma You Tube é utilizada para exibir vídeos de execuções, sempre sangrentas. O Instagram abriga as selfies jihadistas, com demonstração de força. E as justificativas religiosas para as mortes violentas, são postadas no JustPastelt. A ousadia não para por aí. Roteiros de viagem à Síria vão parar no Ask.fm. Segundo o Brookings Institute, a produção visual do EI chegou a 845 peças, entre janeiro de 2014 e setembro de 2015.

Os terroristas do EI são cuidadosos quando se trata de utilizar a internet. Pesquisadores do Centro de Combate ao Terrorismo de West Point descobriram um manual com orientações de cibersegurança, que são mostradas aos recrutas do grupo. O documenta alerta que as mensagens sejam criptografadas e recomenda os apps de chat Cryptocat e Telegram, bem como o Wickr, por destruir mensagens de forma segura. Quanto aos e-mails, devem ser trocados pelo Hushmail ou Prontonmail.

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O Gmail só deve ser usado se o navegador for o Tor. O manual também faz ressalvas ao Instagram, pois o Facebook, dono da ferramenta, tem um histórico ruim de política de privacidade. Aparelhos que rodem Android ou iOS não são vetados, mas a comunicação deve ser pela rede Tor. Os smartphones liberados são os anti-espionagem, Cryptophone e Blackphone. Para completar, existe um serviço de help-desk, 24 horas por dia.

Os recursos que financiam todas as ações do EI são diversos. Uma das fontes de renda são as doações. Pois bem, essas contribuições são realizadas através de bitcoins, para fugir dos sistemas bancários. Transações com moedas digitais, os bitcoins estão ganhando força na internet e não revelam as identidades do emissor e do receptor, só as contas de origem e destino. Uma das carteiras do grupo encontradas em setembro, tinha mais de US$ 3 milhões.