Imagens de uma reunião do presidente russo Vladmir Putin com seus chefes militares apresentadas em dois canais estatais de TV na Rússia, um deles o Canal 1 Rússia, mostraram, acidentalmente ou não, o desenho de uma arma de destruição em massa, de longo alcance, em desenvolvimento, denominada Sistema Multiuso Oceânico Status-6.

O porta-voz da presidência, Dmitry Peskov, confirmou que informações confidenciais, de fato, apareceram nas imagens, mas que os respectivos trechos foram removidos posteriormente. Trechos de noticiário que mostram o desenho estão disponíveis no Youtube. Reuniões como essa, ocorrida na cidade de Sochi na última terça-feira, são rotineiras e têm com um dos objetivos traçar estratégias que permitam à Rússia restabelecer o equilíbrio bélico nuclear com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN.

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A Rússia entende que a implantação do Sistema de Defesa Antimísseis, implantado ao redor do Mar Mediterrâneo, causou um desequilíbrio a favor da OTAN. Em 2012, quando o sistema foi testado, o então secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, declarou: “Nosso sistema irá interligar meios de defesa antimísseis de diferentes aliados – satélites, navios, radares e interceptadores – sob o comando e controle da OTAN. Ele vai permitir que nos defendamos de ameaças externas à área euro-atlântica”.

A organização civil Russian Nuclear Forces Project, fundada por cientistas e dedicada a inventariar o arsenal nuclear russo e disponibilizar as informações publicamente, desde 1991, descreveu detalhes do armamento, em seu blog, a partir dos textos explicativos e ilustrações visíveis nas imagens dos noticiários.

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Segundo esses textos, o propósito do torpedo nuclear robótico seria “danificar componentes importantes da economia do adversário em áreas costeiras, infligindo danos inaceitáveis no território do país, ao criar áreas de extensa contaminação radioativa, que seriam inadequadas para atividades militares, econômicas e outras, por um longo período de tempo”.

Esse dispositivo, um SPA (self-propelled underwater craft), equipado com uma ogiva nuclear muito potente, teria autonomia para cruzar 10.000 km no mar, a uma profundidade de 1.000 m, provavelmente movido por um reator nuclear próprio, depois de ser lançado por submarinos Khabarovsk ou Belgorod, ambos projetos recentes com propriedades multiuso. O documento também cita o ano da construção, que seria 2019.

Segundo Igor Korotchenko, especialista em assuntos militares, em entrevista à Radio Sputnik, o torpedo nuclear robótico é uma arma de dissuasão, ou seja, faz com que potenciais inimigos tenham convicção de que um ataque à Rússia sempre será retaliado de forma devastadora, de modo a causar perdas amplas e irreparáveis ao agressor.

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Tendo essa certeza, o ataque deixa de ser uma opção. Segundo o site The Moscow Times, na década de 1950, o físico Andrei Sakharov propôs ao primeiro ministro soviético Nikita Khrushchev uma maneira de evitar uma corrida armamentista nuclear com os EUA. A ideia seria implantar dispositivos nucleares na costa norte-americana de modo que, quando detonados, provocariam tsunamis radioativos para dentro do continente.

Sendo ou não um vazamento proposital, e ainda que o plano do torpedo não passe de ficção ou propaganda, o incidente demonstra uma disposição do governo russo de aumentar o nível de tensão com seu oponente americano, na questão dos arsenais nucleares. A reação esperada, e considerada por muitos como necessária, seria a OTAN passar a considerar a Rússia como colaboradora em seu sistema de defesa, em vez de oponente. #Europa #EUA