Logo após regressar ao Vaticano, o Papa Francisco declarou que sua visita à África foi muito proveitosa. Porém, confessou que sua primeira escala deveria ter como destino a República Centro-Africana, um dos países mais pobres do mundo.

No último dia de sua visita, o Papa visitou um dos bairros mais perigosos da capital, Bangui. O nome do bairro é curioso: PK5, onde a maioria dos muçulmanos se refugia, visto que há uma tensão religiosa entre cristãos e islâmicos no país. Este bairro foi isolado do restante da cidade desde outubro por causa de um cerco de milícias cristãs que impedem a entrada de suprimentos e a livre circulação de muçulmanos.

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Para se ter uma ideia, as forças de paz da ONU apresentavam fuzis e coletes à prova de bala. Veículos pesados com metralhadoras desfilavam ao longo de PK5 para obter melhor posicionamento durante a passagem da comitiva papal. Mesmo com essa descrição, Francisco pediu a paz entre as pessoas após ouvir o pronunciamento de Moussa Tidiani Naibi – líder religioso local que prega o diálogo.

“Cristãos e muçulmanos são irmãos e irmãs. Aqueles que dizem crer em Deus também devem ser homens e mulheres de paz”, disse o Sumo Pontífice, aludindo ao perdão mútuo. O discurso foi acompanhado por ampla multidão, a exemplo do que ocorreu em Uganda e no Quênia.

Francisco ressaltou a importância de se “dialogar com quem é diferente”, a construção de uma sociedade mais justa e a reconstrução de uma nova fase, tendo como alicerce o que já foi percorrido.

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A cerimônia foi realizada no complexo de Barthélémy Boganda para uma platéia de 30 mil pessoas. Francisco entrou no local com um papamóvel, mas amparado por um forte esquema de segurança. O lugar também é marcante para os centro-africanos, pois, é justamente nesse complexo que o ex-presidente François Bozizé fez seu último ato solene.

Em março de 2013, rebeldes do norte (majoritariamente muçulmano) instituíram um golpe de Estado. Desde então, a onda de violência contra os cristãos vêm aumentando. O cristianismo é a #Religião mais professada na Rep. Centro-Africana.

O país vive uma #Guerra Civil por motivos religiosos que não atrai a atenção do restante do mundo e nunca garantiu notícias nas primeiras páginas dos tabloides mais representativos. Tampouco, ele tem saída para o mar; seus vizinhos mais conhecidos são Camarões e Nigéria (mais pelo futebol do que por qualquer outra coisa).

Seu tamanho é similar ao da França, país que o colonizou, e a agricultura de subsistência é o destaque.

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Um artigo de exportação é a madeira, mas há alguns minerais como diamante e urânio.

Durante o século passado, a África foi retalhada pelas potências europeias que, por sua vez, viram suas colônias lutarem pela independência. Hoje, mesmo com liberdade, várias nações africanas permanecem no abandono por não despertar interesse significativo de um potencial de mercado (leia-se venda e consumo de produtos) em termos econômicos para se inserir na geopolítica mundial.

E assim, os africanos ficam a esperar por um pedaço de representação, por um peso de importância, mas continuam esquecidos. Como é o caso da desconhecida Rep. Centro-Africana.

Francisco deixa uma mensagem para os africanos que é válida para o Ocidente: a tolerância religiosa. A visita do papa foi uma oportunidade, não só para os três países, mas para um aceno da existência de um continente à deriva. #Curiosidades