O ano de 2015 já pode ser considerado o mais quente da história, de acordo com Organização Meteorológica Mundial (OMM). A explicação para esse recorde, afirma a entidade, está na união do efeito estufa, responsável por manter o calor na atmosfera, e a alta intensidade do fenômeno climático El Niño neste ano. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o fenômeno contribuirá para que o verão de 2015/2016 seja mais quente do que o normal.

Apesar de possuir uma periodicidade irregular, a tendência, segundo o Inpe, é de que o El Niño seja ainda mais recorrente em decorrência do efeito estufa. Segundo o climatologista do Instituto, Gilvan Sampaio, em declaração à revista Globo Rural, há grande chances de que o fenômeno sazonal torne-se recorrente e passe a ter frequência anual.

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Caso se confirme, é mais uma razão para que o acordo firmado no COP21 seja de fato cumprido pelos líderes mundiais a fim de reduzir os impactos das emissões de gases na atmosfera.

Mais forte desde 1997/1998

O El Niño se caracteriza pelo superaquecimento das águas do Oceano Pacifico, resultado da ausência dos ventos alísios, cuja principal responsabilidade é esfriar as águas deste Oceano levando o calor para outras regiões. Sem a presença desses ventos, a temperatura das águas se eleva e, dada a conexão do sistema climático global, o fenômeno acaba provocando uma série efeitos colaterais como secas e grandes precipitações.

De acordo com dados da OMM, na segunda quinzena de novembro o planeta já apresentava 2°C acima do comum. Diante desses dados, alguns especialistas já consideram que este poderá ser o El Niño mais forte desde a temporada 1997/1998, quando o fenômeno apresentou a sua forma mais intensa já registrada.

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Naquele período, o Brasil enfrentou grandes secas no Nordeste e na região Norte, onde o índice de queimadas também foi alto por conta do calor; e a região Sul sofreu com uma quantidade de chuva muito acima do aguardado, fato que vem se repetindo este ano.

Influência no Brasil

De acordo com informações do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, quatro das cinco regiões do Brasil sofrerão com uma elevação anormal da temperatura no verão – a exceção será a região Sul. Até o momento, após apuração da temperatura ao longo do mês de dezembro, o CPTEC registrou um aumento fora do comum nos termômetros de algumas regiões geográficas brasileiras, sobretudo na divisa entre Minas Gerais e a região Nordeste, onde as temperaturas foram até 5°C maiores.

A influência do fenômeno podem ser observada no Brasil a partir do que ocorrem em algumas regiões. No Norte e Nordeste, por exemplo, o El Niño acentua ainda mais o clima quente e seco, trazendo sofrimento ainda maior para as regiões que já sofrem com o calor ao longo do ano e aumentando a incidência de queimadas.

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Já na região Sul, cuja característica principal é um clima mais frio, ocorre uma precipitação acima do normal, como a que aflige a região neste momento. Enquanto as regiões Sudeste e Centro-Oeste, que se situam no meio do país, alternam situações de muito calor com alto índice de chuvas.

Apesar da recorrência do El Niño e de o mundo se encontrar relativamente preparado para seus efeitos, a presença do fenômeno climático torna-se uma incógnita graças à combinação com o aquecimento global que vem contribuindo para uma elevação gradativa da temperatura do planeta. #Natureza #Mudança do Clima