O jornal britânico The Guardian obteve um manual interno do Estado Islâmico com 24 páginas, que estabelece uma série de processos e itens a serem seguidos para se obter o controle total de países como o Iraque e a Síria, e, posteriormente, aumentando seu poderio e influência, o suposto controle mundial.

Os documentos estão repletos de instruções relativas à constituição de serviços civis e governos regionais, nos moldes da extinta União Soviética. Além disso, os documentos instruem também sobre modelos para estabelecimento de relações estrangeiras através de uma cultura unificada, e esclarecem como controlar partes vitais da economia e geração de renda, como, por exemplo, controle total sobre terras, petróleo e gás natural.

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O manual foi escrito no ano de 2014, entre julho e outubro. Sob o título de “Princípios na Administração do #Estado Islâmico”, acaba esclarecendo, até certo ponto, como a organização terrorista vem agindo, conseguindo se tornar o grupo jihadista mais rico do mundo.

Os documentos vazados

Em linhas gerais, os documentos tratam-se de uma espécie de manual a ser utilizado por administradores, voltado para a construção de um #Governo ou Estado. Por mais contraditório que pareça, uma vez que as ações do Estado Islâmico sempre se mostram extremamente violentas, levando a entender que somente a destruição e a violência os interessa, nos documentos são abordados também assuntos que estão na pauta de qualquer governo comum, tais como: geração de empregos, comércio, educação, sistemas de telecomunicações, saúde, relações públicas, recursos naturais, e até mesmo regras para lazer.

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Obviamente, o manual também aborda assuntos relacionados à guerra, fornecendo instruções de construção de campos de treinamento distintos, separando os combatentes em veteranos, tropas regulares e – morbidamente – crianças.

Com relação aos veteranos, os documentos estabelecem que estes combatentes devam fazer cursos de reciclagem uma vez por ano, com duração de 2 semanas, com o objetivo de receberem instruções sobre planejamento e tecnologia militar, além de uso de armas, tanto das que já estejam sob controle dos jihadistas, como das que possivelmente seriam obtidas dos “inimigos”, após a vitória em combates.

No que diz respeito às crianças, o manual do Estado Islâmico prevê que devam receber treinamento sobre porte e uso de armas de fogo leves, além de enfatizar que aquelas que se mostrarem “indivíduos excepcionais” sejam promovidas para atuarem em patrulhas e postos de controle.

Os documentos cedidos ao The Guardian foram obtidos pelo pesquisador acadêmico Aymenn al-Tamimi, por meio de um empresário a serviço do Estado Islâmico, que teve sua identidade preservada por questões de segurança. #Terrorismo