Foi realizada ontem, segunda-feira, 30 de novembro, em Paris, a abertura da Conferência Mundial do Clima, a COP-21, convenção ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O evento foi iniciado pelo presidente da França, François Hollande, o qual afirmou em seu discurso, que as autoridades mundiais devem dar a mesma atenção, tanto aos combates contra o terrorismo, quanto a luta para combater o aquecimento global.

Aproximadamente 150 líderes de Estado estão reunidos na Conferência organizada na capital francesa. Dentre estes chefes, está a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que viajou acompanhada da ministra do meio-ambiente, Izabella Teixeira.

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Esta, em entrevista recente ao jornal Folha de S.Paulo, disse que vai defender no encontro, o direito dos países emergentes de não pagarem a conta dos países desenvolvidos, como foi proposto por Estados Unidos e Inglaterra.

Além da presidente brasileira, se encontram também em Paris, líderes como o russo Vladmir Putin, o inglês David Cameron, a alemã Angela Merkel, e o estadunidense Barack Obama, que visitou, logo em sua chegada à capital francesa, a casa de show Bataclan, local onde ocorreu a maior parte dos assassinatos pelos terroristas do Estado Islâmico no último dia 13 de novembro. Obama deixou flores no memorial criado em frente a casa em homenagem às vitimas.

A COP-21 terá 12 dias de duração e chegará ao fim no próximo dia 11 de dezembro. O objetivo da ONU é chegar neste último dia de encontro com um acordo entre as nações de cumprimento de metas climáticas para começar a amenizar o aquecimento global.

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Impasses para o acordo

Mesmo com todo o clima de cordialidade entre os líderes de #Governo na abertura da Conferência Mundial do Clima em Paris, especialistas afirmam que não será fácil chegar a um acordo como propõe a ONU. Isso porque, existe um impasse que separa os países ricos, liderados pelos EUA, dos países em desenvolvimento, como China e Brasil. Para a ambientalista, Melissa Andrade, a conta deve ser paga por todos, mas o valor não pode ser uniforme.

“Países como os EUA enriqueceram com indústrias, que são as mais poluentes do planeta. Você não pode exigir que países que não poluíram tanto o clima e, muito por conta disso, não enriqueceram como os norte-americanos, paguem o mesmo preço dos desenvolvidos. Todos têm sua parcela de culpa, mas o valor não pode ser uniforme. Países como o Brasil terão que ser firmes nesta Conferência, pois os países ricos têm a tradição de não cederem facilmente em negociações, e vão tentar dividir a conta com quem não deve pagar o mesmo preço deles”, afirma Melissa.

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A meta da ONU é chegar a um limite de aquecimento do globo terrestre abaixo de, pelo menos, 2 ºC. Para isso, após se chegar a um consenso, os governantes terão que assinar o ‘Acordo Legalmente Vinculante’, que os forçaria, sob regime de Lei, a cumprir com todos os compromissos firmados nesta Conferência.

“A ONU está confiante, mas não vai ser fácil chegar a este acordo. Os EUA teriam que diminuir drasticamente o potencial de suas indústrias e isso causaria um grande impacto em sua economia. Por isso eles querem dividir a conta com o mundo. Do outro lado, a China diz que não vai pagar pelo que os estadunidenses poluíram, mas hoje já polui tanto quanto as grandes potências, e está enriquecendo bastante por conta disso. Ceder significa deixar de ganhar dinheiro, e é aí que está o impasse”, explica Melissa.

“Será preciso que a ONU saiba mediar esta negociação entre as nações. O controle das rivalidades e vaidades será essencial para chegar a um acordo que coloque a saúde do planeta em primeiro lugar. Reafirmo que não será fácil. Mas, por outro lado, há um nítido clima cordial que pode significar uma trégua dos governantes, que, a princípio, parecem dispostos a conversarem, pois todos já identificaram que o problema do aquecimento global é grave”, diz a ambientalista. #Europa #Mudança do Clima