A Argentina está chorando de emoção com o aparecimento de mais uma vítima da ditadura militar que se instalou no país entre 1976 e 1983. Mario Bravo nasceu durante essa ditadura em uma cadeia e foi logo roubado dos braços de sua mãe. 38 anos depois, com a ajuda da associação 'Avós da Praça de Maio' ,se deu o reencontro e Mario voltou a sentir os braços de Sara, uma mãe que passou todos esses anos procurando por seu menino. O argentino Mário é o número 119 de uma lista que pode ser até de 500 bebês que foram roubados dos braços de suas mães. 

Sara trabalhava em um hotel, e tinha já duas filhas, a mais velha com três anos e a mais pequena com apenas um ano, quando ficou grávida de Mário.

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Por culpa da ditadura militar do país, acabou sendo presa como tantas outras mulheres. Teve o bebê na cadeia e viveu sua pior tortura quando arrancaram o menino de seus braços. Esse bebê foi dado para um casal de apoiantes do governo, que o criaram como seu. Enquanto isso, Sara continuou presa por mais dois anos. Quando saiu, quis procurar seu filho, mas lhe disseram que, se não ficasse calada, teriam que matá-la e às suas filhas. Sete anos após ser libertada, Sara refez sua vida e teve mais quatro filhos. Mas ficava faltando ainda Mario. 

Sara nunca desistiu de procurar 

Mas seu coração de mãe não deixou ela desistir dessa busca por seu filho.. Em 2007, Sara procurou a associação das 'Avós da Praça de Maio'. Deixou uma amostra de seu DNA e ficou esperando, aguardando pelo dia em que voltaria a ver seu menino.

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Apesar de desencontrados, Mario remava na mesma direção de sua mãe. Ele sempre desconfiou da adoção que seus pais (que tomaram conta dele) falavam, mas só neste ano de 2015 ele foi procurar por sua história. Com a ajuda das Avós, a 19 de Novembro encontraram o DNA compatível com o seu e ficou provada a maternidade de Sara. 

O reencontro, 38 anos depois

O reencontro aconteceu nesta terça-feira, dia 1 de dezembro, e Bravo falou junto com a presidente do movimento das Avós, Estella de Carlotto, sobre como viveu esse momento de emoção. 

Mario Bravo se apresentou muito emocionado mas puxou do humor para dizer que sua mãe é "bonita como eu, mas com cabelo". Contou ainda em declarações para a Radio Renacer o que Sara falou para ele no momento da reunião. "Ela me falou: 'Hoje escuto sua voz e quando você nasceu só escutei seu choro. Nem sabia se você era menino ou menina. Eles taparam minha cabeça e eu nunca mais te escutei'", contou Mario Bravo, o bebê número 119 que as Avós já encontraram.

Se estima que serão 500 os bebês perdidos nessa ditadura. Dos 119 encontrados, a maioria tem encontrado seus pais já mortos, mas encontram ainda alguns familiares. 

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