Um avião de combate russo SU-24 é derrubado em 24/11/2015 sobre espaço aéreo da Síria pela força aérea da Turquia; o presidente russo, #Vladimir Putin, sanciona uma série de restrições econômicas, visando baixar a moral do Governo turco; a Turquia diz que esta sofrendo ciberataque desde o dia 21/12/2015, provavelmente, praticado por hackers na Rússia; o Kremlin, por sua vez, afirma que tem provas substanciais que Ancara negocia petróleo com o Daesh ou EI - #Estado Islâmico. Enfim, a relação nos últimos meses entre os dois países não é algo nada amigável.

Associado a todo este contexto, há um fato de caráter militar que pode deteriorar ainda mais a rusga instaurada entre as duas nações, pois desde que o avião russo foi abatido, um número variado de vasos de guerra da Rússia atravessa o estreito de Bósforo, o qual é divisor das margens asiática e europeia da cidade turca de Istambul, navegando em direção à Síria.

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A partir do momento em que os russos intervieram militarmente na Síria, afirmando querer destruir o El, que as nações ocidentais insistem em dizer que o objetivo real de Putin é amparar o regime de Bashar al-Assad, que é o presidente sírio no poder. O tráfego marítimo através dos mares Negro e Mediterrâneo começou a ser denominado de "Síria express" por razões óbvias.

Os entendidos em assuntos militares corroboram que dezenas de navios, fragatas, cargueiros e submarinos da Rússia navegam constantemente pelo estreito de Bósforo. É importante ressaltar que a crise nas relações diplomáticas não restringiu essa navegação específica da Rússia para a Síria, mesmo com o Governo de Ancara forçando uma situação internacional para que ocorresse justamente a proibição.

Entretanto há uma lei internacional, a Convenção de Montreux de 1936, que regulamenta a navegação não só no Bósforo, como nos Dardanelos.

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Embora conceda o controle de ambos os canais à Turquia, a lei também estabelece a total liberdade de navegação ou circulação nos estreitos, à exceção de situações declaradas de ameaça e guerra imediatas.

O turco Devrim Yaylali, que é editor de um portal de informações daquela região turca, esclareceu que como não ocorreu a declaração de guerra entre turcos e russos, a Turquia nada pode fazer no que diz respeito a proibir a passagem dos navios militares da Rússia no Bósforo.

A Rússia, que não é nenhuma amadora em relações internacionais de conflito, tem na blindagem dessa jurisprudência a liberdade do uso dos caminhos navais nos estreitos, abastecendo assim as suas tropas que estão na região do extremo noroeste sírio, mais exatamente em Latakia.

O russo Mikhail Voitenko, editor-chefe de uma publicação on-line russa sobre mares e oceanos afirmou que se não houvesse o Síria express, a campanha russa poderia ser asfixiada em poucos dias ou semanas.

Tudo indica que a involução das relações mundiais entre os países ainda tem muito para continuar, pois "combustível" não falta, vide as migrações humanas em escala global, atentados terroristas do EI, confronto cultural entre o Ocidente e o Islã, guerra civil na Síria, a China que acusa os EUA de provocação militar, entre tantos outros problemas que geram medo e incerteza sobre o futuro da humanidade.

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