A estrela KIC 8462852, localizada na constelação de Cisne, continua um mistério. O Telescópio Espacial Kepler, da NASA, descobriu um fenômeno bizarro ao ser direcionado para esta estrela, detectando uma redução completamente anormal de seu brilho emitido, que varia entre 15% e 22%, fato nunca visto antes.

Por causa dessa variação inconstante, foi proposto pelo astrônomo Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilvânia, Estados Unidos, que o fenômeno poderia até se tratar de uma possível “Esfera de Dyson”, uma megaestrutura construída ao redor de KIC 8462852 por uma civilização extraterrestre inteligente, com tecnologia suficiente para criar uma série de imensos painéis solares e colocá-los em órbita ao redor da estrela, de forma a aproveitar sua energia.

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O fenômeno chamou a atenção de grande parte da comunidade científica, até mesmo do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Inteligence, Busca por Inteligência Extraterrestre, em português), que direcionou seus radiotelescópios para a estrela. Até o momento, porém, nenhum sinal que possa ser atribuído a uma fonte artificial, e intencionalmente irradiado para o espaço, foi detectado pelo SETI.

Mais teorias, nenhuma explicação

A maioria dos cientistas acredita agora que a ideia da existência de uma Esfera de Dyson ao redor de KIC 8462852 não seja muito plausível, e uma teoria para explicar o fenômeno reinou absoluta durante alguns meses. Foi proposta que a diminuição do brilho observado era consequência de um aglomerado de cometas orbitando a estrela, de modo que cada fragmento, de tamanho único, seria o responsável por alterar sua luminosidade em níveis diferentes.

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Recentemente, Bradley Schaefer, astrofísico da Universidade de Louisiana, nos Estados Unidos, derrubou esta teoria, que aparentemente explicava o fenômeno. Segundo seus cálculos, seriam necessários aproximadamente 648 mil cometas gigantes, cada um com pelo menos 240 km de extensão (ou aproximadamente um décimo do diâmetro de Plutão), e alinhados perfeitamente, para que o fenômeno correspondesse à teoria proposta, e algo assim é muito improvável que aconteça.

Schaefer também descobriu que observações feitas desde a década de 1890 indicam que KIC 8462852, além de apresentar o fenômeno descoberto pelo Observatório Kepler, perdeu aproximadamente 20% de seu brilho total, algo sem precedentes.

Outro astrônomo, Phil Plait, salienta que esta redução periódica de brilho, além do escurecimento gradual, é algo que os cientistas poderiam realmente esperar detectar se encontrassem uma esfera Dyson ao redor de uma estrela. Teoricamente faz sentido, pois explica as reduções periódicas de brilho, e uma vez que mais painéis seriam adicionados à estrutura com o passar do tempo, explicaria também o escurecimento gradativo da estrela.

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No entanto, uma obra dessa magnitude exigiria uma engenharia de proporções jamais imaginadas pelos seres humanos. Segundo os cálculos de Plait, seriam necessários pelo menos 750 bilhões de quilômetros quadrados, ou 1.500 vezes a área da Terra, preenchidos com painéis solares, para que o fenômeno fosse observado tal como se apresenta. #Curiosidades #EUA