O Governo da Turquia ultimamente parece que resolveu fazer tudo o que não é concebível no cenário político interno e mundial. Em novembro de 2015 abateu um caça soviético SU-24 sobre espaço aéreo sírio; está sendo acusado pelos russos e até por parlamentar dos EUA, de ser conivente e fazer negócios ilícitos com o Daesh ou EI – #Estado Islâmico e invade sucessivamente o espaço aéreo de sua vizinha, a Grécia com aviões armados em postura provocativa.

Como se não bastasse, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que há muito é conhecido pelo seu destempero, fez com que esta sexta-feira fosse um pouco mais tenebrosa ao declarar uma caçada humana aos que assinaram um abaixo-assinado que solicita o fim das operações militares turcas contra o povo curdo.

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Através de ordem judicial, policiais turcos detiveram em Kocaeli, nordeste do país, 14 estudantes universitários que assinaram o “apelo pela paz”. Já no norte, em Bolu, foram revistadas as casas de mais 3 pessoas que assinaram a petição. Enfim, em toda a Turquia, o governo de Erdogan insiste em afirmar pelos inquéritos judiciais, que os assinantes da petição praticaram “propaganda terrorista”, “incitamento a violação da lei” e “insulto às instituições e à República turca”.

Em 11/01, cerca de 1.200 indivíduos assinaram o que chamaram de “iniciativa universitária pela paz”, pedindo o fim do intervencionismo das forças de segurança turcas contra os apoiadores do PKK - Partido dos Trabalhadores do Curdistão, com maioria localizada no sudeste turco, onde há população de maioria curda. O texto original redigido falou que de um verdadeiro massacre consciente e orquestrado por Ancara, violando as leis do próprio país e as internacionais, que a Turquia inclusive se comprometeu em cumprir.

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Tanto a polícia, quanto o exército turco com o uso de blindados invadiram há aproximadamente 1 mês, as cidades de maioria curda como Cizre e Silopi, que estavam em cessar-fogo, assim como, Diyarbakir, distrito sul do país. Tudo isso para capturar militantes armados do PKK que estavam entrincheirados na região, ocasionando a morte de muitos civis e a saída de alguns moradores dos locais atacados.

Até intelectuais estrangeiros (como o linguista norte-americano Noam Chomsky) assinaram a petição. Diante desse cenário, o presidente Erdogan ficou furioso, acusando os signatários de serem cúmplices terroristas do PKK. Inclusive um jornal do regime no poder teve o seu editor, Ibrahim Karagül, conclamando os universitários ao boicote das aulas de professores que assinaram a petição.

Universidades abriram ações disciplinares contra professores que assinaram a petição; estudantes turcos insultam outros estudantes seus patrícios por terem assinado a petição; o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata) se pôs contra Ancara; o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo) escreveu que o governo mergulhou a Turquia nas trevas; Emma Sinclair Webb que representa a Human Rights Watch no país fez críticas ao governo no Twitter e o aliado, John Bass, embaixador dos EUA em Ancara, repudia o que a Turquia vem fazendo.

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Depois de 2 anos de trégua dos combates entre as forças de segurança turcas e o PKK, a guerrilha foi retomada no último verão no hemisfério norte, fragmentando os francos acordos de paz começados no final de 2012, que tentavam acabar de uma vez por todas, com um desentendimento que matou mais de 40.000 pessoas desde 1984. #Europa #Guerra Civil