Na última terça-feira, dia 12/1, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concedeu uma entrevista a um conceituado jornal da Alemanha, onde abordou alguns pontos importantes sobre a participação do seu país na #Guerra Civil da Síria e combate ao Daesh ou EI – #Estado Islâmico. Parte da entrevista foi copiada pelo site oficial do Kremlin e encontra-se disponível no mesmo. 

Na ocasião, Putin abordou o tema, a princípio bombástico, da possibilidade da Rússia conceder asilo a Bashar al-Assad, o presidente da Síria no poder. Sugeriu também que seria mais tranqüilo dar guarida a Bashar, do que foi abrigar e asilar o norte-americano Edward Snowden, um ex-agente da inteligência dos Estados Unidos

Por outro lado, toda essa discussão ainda é incipiente e prematura, fez questão de frisar na entrevista Vladimir Putin, pois segundo ele, não é o tempo de se abordar a alternativa de Bashar al-Assad ter de sair por livre e espontânea vontade ou ser obrigado a deixar a Síria.

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Edward Snowden atuou para a NSA (tradução em português da Agência de Segurança Nacional dos EUA) e no ano de 2013 acabou recebendo a alternativa de asilo por parte do governo da Rússia, depois de ter revelado ao mundo documentos, até então secretos, sobre o programa de vigilância massiva orquestrado pelos norte-americanos. 

Putin deixou muito claro, para os jornalistas alemães, que há a necessidade de se obter um referendo junto aos cidadãos sírios sobre a saída ou não de Bashar do país árabe e isto só é conseguido mediante uma votação democrática. Só depois dessa fase é que a Rússia pode partir para a cogitação de que terá de abrigar a autoridade síria em seu território.

Um ponto que não pode passar desapercebido, em hipótese alguma, para toda a comunidade internacional, é que, apesar da ação militar dos russos em território sírio tenr por objetivo fundamental defender o estado de direito legítimo representado pelo governo de Damasco, na Síria, Putin literalmente concluiu reconhecendo que Bashar al-Assad ao longo do conflito da Síria cometeu “um monte de erros, mas a situação não teria escalado tão rapidamente sem o dinheiro, armas e combatentes dos agentes externos”. 

O líder mor russo também falou sobre as rusgas entre o Irã e a Arábia Saudita que eclodiram na última semana, o que só fez traduzir o conflito recheado de sectarismo que permeia o Oriente Médio, atrapalhando as probabilidades de verdadeira paz e segurança na Síria. 

Será que a Síria deixará de existir geográfica e politicamente? São tantas as variáveis envolvidas no tema que tudo é possível, como por exemplo: a ocupação das colinas de Golan por Israel; as novas fronteiras que estão sendo desenhadas automaticamente no Oriente Médio, fazendo com que Israel e Turquia tenham a probabilidade de partilhar o espólio de pedaços literais de outros países, e a presença militar norte-americana que nunca deixou de se fazer presente com a Otan. 

De tudo isso, o que mais parece fazer sentido é a frase de Putin na entrevista sobre o tremendo imbróglio chamado Oriente Médio, a saber: “quanto a isso levar a um grande confronto regional, eu não sei.

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Prefiro não falar ou nem mesmo pensar nesses termos”. #Europa