A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou para a possibilidade de infestação do zika vírus em todo o continente americano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 25 de janeiro, e já preocupa as autoridades políticas de toda a região. O órgão afirma que apenas o Canadá (na América do Norte) e o Chile (na América do Sul) estariam livres, neste momento, da infestação.

Ainda segundo os dados da OMS, dos 55 países localizados nas três Américas (Norte, Central e Sul), 21 deles já registraram a presença do zika vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti (também responsável por gerar a dengue e a chikungunya).

Publicidade
Publicidade

Além disso, o vírus está sendo apontado pelos médicos como o provável responsável pelo surgimento da microcefalia em bebês, ainda durante o processo de gestação.

O principal motivo pelo qual a OMS acredita em uma futura infestação do zika nas Américas é o fato de que o mosquito Aedes já se encontra em quase todos os países do continente (já há casos de dengue e chikungunya registrados na maior parte destes países), com a exceção de Canadá e Chile (por isso ambos estão sendo considerados momentaneamente livres do risco pela Organização).

Segundo agente, população deve colaborar mais

O agente de saúde Anderson de Jesus, 31 anos, que ajuda a combater o mosquito Aedes diariamente pelas ruas de Salvador, afirma que a previsão da OMS deve mesmo se concretizar.

“É claro que nós agentes, que estamos nessa luta dia a dia contra o mosquito, não queremos que haja uma infestação pelo continente.

Publicidade

No entanto, observando o descaso das pessoas, que sabem do problema, mas que não se dedicam como deveriam para evitar a proliferação do Aedes, acredito sim que, infelizmente, as doenças provocadas por este mosquito devem se espalhar ainda mais”, lamenta Anderson.

“Todos os dias realizamos não apenas o trabalho de verificar as casas das pessoas, mas, principalmente, o de conversar e levar a informação para os moradores. Porém, a cada nova visita, observamos que a maior parte das pessoas não está colaborando, e continua negligenciando e subestimando os perigos que esse mosquito pode gerar. Enquanto as pessoas não mudarem suas posturas, não vejo como exterminar de vez com esse mal”, conclui o agente de saúde.

Médico explica alerta da OMS

Para o médico Mauro Sacramento, 53 anos, especializado em doenças causadas por vírus, como o zika, a dengue, e o chicungunya, a previsão da OMS se baseia na falta de imunidade das pessoas no restante do continente.

“O que a OMS afirma é que, como a população dos outros países do continente americano não ficou exposta ao #Zika Vírus antes dos primeiros registros no Brasil, que ocorreram no mês de maio de 2015, estas pessoas, então, carecem de imunidade para com este vírus, logo, como não apresentam tal imunidade, a propagação da #Doença deve acontecer com maior facilidade, sobretudo, pelo fato do mosquito Aedes Aegypti já ter sido encontrado na grande maioria destes países”, explica Sacramento.

Publicidade

“É preciso que as autoridades políticas de todos os países do continente se unam e se planejem já de agora. O risco já foi denunciado e a OMS precisa ser ouvida. Estamos falando da vida de milhares de pessoas, sobretudo, dos mais pobres, que muitas vezes não têm nem um saneamento básico digno para um ser humano. É preciso que a grande mídia também acentue as propagandas informativas e as reportagens para mostrar mais o problema para a população. Se levada a sério, e se receber a devida atenção de todos, essa luta contra o Aedes pode ser vencida”, acredita o médico especialista. #Organização Mundial de Saúde