O jornal Francês Charlie Hebdo, que desencadeou em 2015 uma comoção mundial após atentados contra seus redatores, não foi muito feliz em sua última edição. Em meia página utilizou uma charge onde retrata o menino Aylan - o menino de apenas três anos que  morreu tentando atravessar o mar Egeu entre a Turquia e a Grécia. Aylan e sua família fugiam da guerra que atinge a Síria há alguns anos, na ocasião a mãe e o irmão do menino também morreram.

A charge é assinada pelo editor da revista e ocupa metade de uma página dupla. Na charge onde um homem corre atrás de uma mulher está escrita a seguinte pergunta, "Migrantes: no que teria se transformado o pequeno Aylan se tivesse crescido?".

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E como reposta: "Apalpador de bundas na Alemanha" (tradução livre). Essa charge é uma alusão a acontecimentos na festa de virada de ano na Alemanha, onde foram registrados alguns abusos sexuais e sua maioria foram atribuídos aos #Refugiados, que foram recebidos em grande número no país alemão.

Nas redes sócias a charge foi fortemente criticada, as mesmas redes sociais que em 2015 demonstraram sua indignação aos atentados sofrido pelos redatores do jornal, lançando a campanha “Somos todos Charlie Hebdo”.

Foram duras as críticas tanto de anônimos como de autoridades, até a Rainha da Jordânia usou suas redes sociais para criticar a charge. Ela utilizou também um desenho para responder, no desenho de um cartunista jordaniano, aparece a foto de um menino mais velho com uma mochila escolar e depois um médico.

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Todas as demonstrações de indignação são fortes, mas a mais comovente foi do pai de Aylan, Abdullah Kurdi, em entrevista a AFP, declarou “quando via a charge chorei. Minha família ainda está muito abalada” completou o pai.

Abdullah Kurdi, ainda divulgou um comunicado onde descreveu o desenho de “desumano e imoral”. Afirmando que era “tão mau quanto as ações de criminosos de guerra e terroristas”, que causam mortes e migrações na Síria e em outros países.

O mundo que há um ano de sensibilizou com o jornal e há alguns meses se chocou com a imagem do pequeno corpo inerte na praia, volta a indignar-se com a charge, do jornal que um dia recebeu sua solidariedade. #Terrorismo