Em seu último ano de mandato, o presidente norte-americano Barack Obama apresentou nesta terça-feira (09) a sua proposta de orçamento para o exercício de 2017. Avaliado em US$ 4,1 trilhões de dólares, o plano entregue ao Congresso para aprovação evidenciou os pontos considerados prioritários para a gestão presidencial no próximo ano fiscal, com data para começar em primeiro de outubro deste ano – sendo que Obama deixará a presidência em janeiro de 2017, quando entrará o seu sucessor. Entre as principais preocupações do presidente democrata estão infraestrutura, segurança digital, educação e o combate ao desemprego e à pobreza.

Politicamente, o documento é considerado importante por ser uma espécie de registro da maneira como Obama prevê o futuro do orçamento norte-americano a partir de então.

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"O orçamento que estamos apresentando hoje reflete minhas prioridades e as prioridades que, acredito, nos ajudarão a avançar com segurança e prosperidade nos Estados Unidos para os próximos anos", disse o presidente em pronunciamento na Casa Branca. Um exemplo dessa percepção está nas novas ideias trazidas pelo presidente no orçamento, como a implementação de uma compensação salarial estatal de até 50% dos salários dos trabalhadores em caso de desemprego e também um projeto voltado ao auxílio de famílias que estejam em situação de pobreza em decorrência de doenças ou desemprego.

REJEIÇÃO

Mesmo antes de ser apreciado, o orçamento causa controvérsia entre os republicanos, que lideram Congresso e já demonstram rejeitar boa parte das propostas. Essa posição, no entanto, já era esperada pela equipe presidencial.

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Tal rejeição, afirmou o vice-presidente para política orçamentária no Centro de Prioridades Orçamentárias e Legislativas, Joel Friedman, em nada reduz a importância do documento. Além disso, há grandes possibilidades de que algumas propostas sejam vistas com bons olhos pelos congressistas do partido opositor, a exemplo do aumento nos gastos para as pesquisas relacionadas à cura do câncer.

Quanto às propostas com maior potencial de rejeição, aquelas ligadas ao âmbito fiscal são, sem dúvida, as que geram maior descontentamento para os republicanos. Como exemplo, estão a proposta de taxação em US$ 10 a cada barril de petróleo como forma de promover um fundo dedicado a investir em infraestrutura de transportes que emitem menos poluição e também a cobrança de tributos para heranças e remessas de lucratividade para o exterior. Do mesmo modo, são consideradas fora de cogitação pelos republicanos a criação de novos tributos para bancos e demais instituições ligadas ao setor financeiro.

REDUÇÃO DO DÉFICIT

Quando chegou ao poder, em 2009, Barack Obama assumiu um país em grave recessão, com orçamento bastante deficitário e um índice alto de desemprego, situação que foi bastante amenizada durante os dois mandatos do democrata.

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No atual documento, Obama prevê a solidez econômica com a perspectiva um crescimento de 2,6% para o próximo ano e uma redução no déficit menor do que 2,5% para a próxima década.

Em valores, a proposta orçamentária visa um déficit de US$ 503 bilhões, uma redução de 18% em relação ao déficit do ano fiscal atual. Essa diminuição no índice deficitário do orçamento norte-americano está de acordo com a meta de cortar US$ 2,9 trilhões do déficit para a próxima década. No documento, Obama afirmou que sua proposta “reduz os déficits e mantém o nosso progresso fiscal através da poupança inteligente de cuidados de saúde, imigração e reformas fiscais".

Resta agora esperar a apreciação do Congresso, que não precisa aprovar o documento na integra, mas pode levar à frente apenas aqueles pontos que considerar de acordo. #EUA