Começou na quinta-feira (11), o julgamento de um ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz. Esse campo de concentração foi construído em 1940 e se tornou, até o fim da Segunda Guerra Mundial, o maior criado pelo regime comandado por Hitler.  Nesse campo foram mortos cerca de 1 milhão de judeus, e também pessoas pertencentes às minorias, como ciganos e homossexuais.

Reinhold Hanning, de 94 anos, de nacionalidade alemã, é acusado de ter trabalhado no campo de concentração como membro de uma tropa de elite de nazistas, sendo portanto, cúmplice na morte de milhares de pessoas, cerca de 170 mil pessoas (entre janeiro de 1943 e julho de 1944), ao escoltá-las para as câmaras de gás.

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Haverá quatro julgamentos semelhantes neste ano, o de Hanning é o primeiro. 

O caso atual e outros já julgados

Já houve em 2011 uma condenação, quando a Justiça alemã condenou um homem que trabalhava como guarda, sob acusação de trabalhar em um campo de concentração - John Demjanjuk, ex-guarda de Sobibor, que foi condenado a cinco anos de prisão.

Com essa condenação se abriu um precedente, para que outros processos fossem levados adiante. Esse caso atual faz parte de um grupo de 30 casos investigados. Há um órgão específico para crimes que foram cometidos durante o nazismo, que toca as investigações.

Em 2015 foi realizado outro julgamento, o de Oskar Groning, que trabalhou em Auschwitz como contador. Há outros dois casos que serão julgados em breve, de dois antigos membros da SS, que serão processados no final deste mês, em Neubrandenburg (nordeste) e outro mais adiante, em abril em Hanau (oeste).

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O julgamento de Reinhold Hannig

O início da audiência foi dedicado à leitura da ata de acusação do réu. Esse julgamento será longo, possivelmente terá duração até 20 de maio. Hanning só pode participar da audiência por duas horas diárias, devido ao seu estado de saúde. Também por esse motivo e devido a sua idade, a pena será simbólica, de três a 15 anos de prisão.

O responsável pela acusação, o procurador Andreas Brendel, disse à imprensa que "A idade não tem nenhuma importância" e que a Justiça alemã "deve às vítimas e aos seus familiares" julgar os crimes do Terceiro Reich.

Justiça tardia

O vice-presidente do comitê Internacional de Auschwitz, Christoph Heubner, declarou que esses julgamentos se tratam também de reparar in extremis as "carências da justiça alemã". Segundo ele, em um momento em que o que se queria era "virar a página" e também pela forte presença de ex-nazistas na magistratura, foram condenados menos de 50 dos 6.500 SS do campo de concentração, dos que sobreviveram à guerra.

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Justin Sonder, de 90 anos, perdeu 22 pessoas de sua família no regime nazista e à véspera do julgamento de Hanning declarou que o julgamento deveria ter acontecido há muito tempo, há 40 ou 50 anos.

Constituirão a parte civil quarenta sobreviventes da Shoa, e também seus descendentes, que sairão de Israel, Canadá, Inglaterra e Estados Unidos. Entre eles está Angela Orosz, uma canadense de origem húngara, de 71 anos, que foi um dos bebês sobreviventes de Auschwitz e que declarou que será testemunha para manter viva a memória de todas as vítimas do Holocausto e porque em sua concepção, todos os funcionários "contribuíam para a maquinaria de morte".

Reinhold Hanning

Hanning foi um funcionário que entrou nas Waffen SS em 1940, no mês de julho e no início de 1942 foi transferido para Auschwitz. Ele trabalhou em Auschwitz-I, como supervisor dos prisioneiros que chegavam ao campo de Birkenau.

Apesar de não haver nenhuma prova de que tenha cometido um #Crime, é acusado de ter sido parte do funcionamento interno do campo de concentração.

Acredita-se que ele não falará, uma vez que nunca se referiu ao sei passado em público, diferente do ex-contador Groning, que enviou um texto aos meios de comunicação como forma de "lutar contra o negacionismo" e depois pediu perdão às vítimas. #Investigação Criminal