O papa indicou o uso de contraceptivos para mulheres, devido ao grave surto de #Zika Vírus que assola a América Latina, e que também já toma grandes proporções em diversas outras regiões do mundo, como na América do Norte e na Europa.

A fala de Francisco foi dita na última quinta-feira, dia 18 de fevereiro, em uma conversa informal com jornalistas internacionais, durante o voo que levava o papa, e sua comissão religiosa, do México de volta para Roma (Vaticano).

A indicação feita por Francisco não é tão surpreendente, levando em consideração que, desde que se tornou papa, em 2013, ele já vem defendendo posições tidas como revolucionarias dentro do catolicismo.

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Contudo, o pontífice legitimou seu posicionamento favorável aos contraceptivos, nesta atual circunstância crítica, ao concluir que existe uma diferença moral entre realizar um aborto e prevenir uma gravidez indesejada.

Ao longo da história, a #Igreja Católica sempre se posicionou contrária ao uso dos métodos contraceptivos pelas pessoas nas relações sexuais, privilegiando o direito à vida para qualquer ser humano.

No entanto, para o atual papa, a questão agora é muito mais delicada do que se presumia a Igreja, e Francisco defendeu a ideia de que não há nenhum “mal absoluto” em se evitar a gravidez, sobretudo, em casos de riscos de transmissão de doenças para o feto, como tem ocorrido em relação à zika e a sua, muito provável (dizem estudos), ligação com a microcefalia (doença que gera a má-formação no cérebro do bebê quando este ainda está em processo de formação na barriga da mãe).

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Francisco não especificou quais métodos contraceptivos eram indicados (como pílulas ou camisinhas, por exemplo), mas enfatizou que eles são apropriados nesta atual circunstância de epidemia de zika, em eminência mundial. Com relação ao aborto, Francisco ainda se manteve conservador, e concluiu que este sim é um “mal absoluto”, pois, segundo as palavras do papa, “é um mal em si mesmo... é um crime”.

Teólogo legitima posicionamento de Francisco

Para o teólogo Emanuel Andrada, o posicionamento do papa não fere em nada os princípios do catolicismo.

“Francisco é um papa contextualizado com o seu tempo. Ele é um sábio, e impressiona ao demonstrar, a cada nova situação polêmica, que tem o total domínio sobre os preceitos cristãos, que fundamenta o catolicismo. Ao defender o uso dos contraceptivos, neste momento em que vivemos um perigoso surto de zika, ele não está ferindo em nada aos dogmas da Igreja Católica, muito pelo contrário. Ele está, justamente, colocando em prática os ensinamentos de Cristo, que é, sobretudo, defender a vida”, explica Emanuel.

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“Se prevenir e evitar ter um filho com uma doença, que está em plena expansão, é uma forma de defender a vida. E é isso que Francisco está defendendo agora. Já com relação ao aborto, ele se mantém conservador e fiel aos dogmas da Igreja, porque, de fato, para o cristianismo, se o ser já possui uma vida, esta deve ser preservada, com doença ou sem doença. Por isso a prevenção, neste momento, é muito importante, como defende o papa”, conclui o teólogo. #Religião