Centenas de cubanos saíram as ruas de todo o país no último fim de semana em um movimento conhecido como “Todos Marchamos”. Criado pelo Foro Pelos Direitos e Liberdades, uma organização feita por políticos opositores, jornalistas independentes, artistas e ativistas, a campanha tem como objetivo reivindicar a anistia de presos políticos e a restituição dos direitos humanos e da democracia na ilha.

Segundo os idealizadores do movimento, “A sociedade cubana vive um momento crucial: impera a necessidade de atuar contra a transferência e perpetuação no poder da família Castro”. O castrismo, vale ressaltar, existe há 60 anos, sendo caracterizado por atentados violentos contra a dignidade humana, como por exemplo, trabalhos forçados em condições precárias, fome generalizada, tráfico sexual infantil, entre outros crimes contra a humanidade.

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O movimento "Todos Marchamos" surgiu para trazer mudanças que findem o regime ditatorial dos Castro e tragam a liberdade e a democracia para a ilha. A seguir, algumas reivindicações da campanha:

  • Liberdade incondicional e imediata aos presos políticos, além do cancelamento de suas penas;
  • Abolição de leis e artigos que violam pactos relacionados às liberdades do cidadão cubano;
  • Reestabelecimento das garantias judiciais constitucionais;
  • Criação de leis que garantem o reconhecimento do pluripartidarismo e liberdade de reunião;
  • Criação de leis que garantem o respeito ao direito da liberdade de expressão e a disseminação do fluxo de informações.

Repressão

Durante as manifestações, mais de duzentos ativistas pró-democracia sofreram repressão violenta da polícia nacional revolucionária. Nas cidades de Palma Soriano e Santiago, por exemplo, a polícia revolucionária prendeu diversos manifestantes, que gritavam frases como “Liberdade para o povo de Cuba! ”.

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Em Havana, várias mulheres foram presas ao saírem de suas casas para que não pudessem participar dos protestos, enquanto que manifestantes no Parque Gandhi eram violentamente reprimidos pela polícia.

Para os coordenadores do Foro Pelos Direitos e Liberdades, a resposta violenta do regime cubano expõe o viés totalitário que os irmãos Castro insistem em ocultar ao mundo: “Ao longo de um ano, a repressão se intensificou. Espancamentos, detenções arbitrárias, atos de repúdio, ameaças e perseguições são uma constante resposta do regime. Neste sentido, as cifras de detenções se combinam com a crescente violência empregada pelos agentes do sistema e seus cúmplices. Nada permite assumir uma posição otimista neste tema. O castrismo é castrismo, ainda que se apresente na versão raulista [Raúl Castro]”.

Apesar da situação preocupante, o movimento pede ajuda a “todos os amantes da democracia, onde quer que se encontrem”, através do cadastro no site e compartilhamento do conteúdo nas redes sociais. Até o presente momento, o movimento "Todos Marchamos" tem o apoio de 414 pessoas dentro e fora de Cuba. #Opinião #Manifestação #Crise