Adaptação ao clima, ao idioma, necessidade de economizar ou distância da família? Quais são as maiores dificuldades do intercâmbio para os brasileiros? De acordo com o portal de notícias G1, somente em 2014, mais de 230 mil brasileiros encararam o desafio de viver e estudar em outro país, um recorde absoluto nos últimos anos. Para saber quais são as variáveis desse caminho, conversamos com dois desses ex-intercambistas. Confira na entrevista exclusiva da jornalista Nathália Honci:

Doutor em Ciência da Computação pela University College Dublin (UCD), o engenheiro de software Emerson Loureiro gostou tanto de morar fora que já vive na Irlanda há uma década, mas nem tudo nessa jornada foram flores.

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Para ele, a barreira do idioma foi a maior dificuldade enfrentada no início da experiência, pois nem compreendia muito bem o sotaque irlandês nem conseguia se expressar como desejava.

“Eu tinha um nível de inglês que considerava bom antes de vir à Irlanda. Eu assistia a filmes americanos sem legenda e entendia a maioria das coisas, por exemplo, mas aqui realmente sofri com o sotaque. Além disso, a fala é uma compreensão que não se pratica muito a não ser que se more em um país de língua estrangeira. Esses dois fatores foram um grande empecilho para eu me entrosar por aqui, fiquei bastante isolado no início. O segredo mesmo é meter a cara, falar sem medo de errar e perguntar ou pedir para o interlocutor falar mais devagar”, opinou.

Para amenizar o problema, Emerson sugeriu, além de paciência e constantes tentativas de conversação, o site Dictionary.com e a ferramenta de dicionário do Google.

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De acordo com o engenheiro, esses recursos são úteis não só para conferir o significado de uma palavra ou expressão nova, mas também para ouvir como ela é pronunciada por um nativo.  

“Para mim, focar em me comunicar como um nativo, sempre incorporando ao meu vocabulário as expressões e construções utilizadas por eles, foi fundamental, pois me permitiu parar de pensar o que eu queria dizer em português, me forçando a raciocinar diretamente em inglês. O resultado é que hoje, até quando estou falando ou pensando comigo mesmo, o faço naturalmente em inglês”.

Já para Laís Falcão, mestre em Jornalismo e Comunicação da Ciência, da Tecnologia e do Meio Ambiente pela Universidad Carlos III de Madrid, o idioma falado não foi tão complicado, mas escrevê-lo de forma profissional foi um desafio. A jornalista pontuou que, na língua falada, há a liberdade de se cometer erros sem comprometer o entendimento, mas na escrita qualquer imperfeição se maximiza.

Apesar disso, Laís contou que sua maior barreira não foi profissional, mas sim estar longe da família.

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“No Brasil, minha casa estava sempre cheia e, de repente, eu estava morando sozinha. Geralmente as noites eram mais tristes, mas eu fiz muitos amigos e tentava ocupar os momentos livres viajando, conversando com as pessoas para evoluir meu espanhol e me integrando à cultura local. Eu sabia que seria por um breve tempo, então aguentei firme”.

Para que esse mergulho de cabeça aconteça, a jornalista deu algumas dicas. Antes da viagem, é fundamental pesquisar as principais regras locais, os costumes e as tradições. Tenha curiosidade e mente aberta para não parecer indelicado ao se deparar com algum hábito diferente do seu. Durante a estada, deixe a timidez de lado e tente se comunicar com as pessoas para viver as experiências como um ‘local’. Com o tempo, suas interações serão cada vez mais naturais”. #Europa #Estudar no exterior #Intercâmbio