Bruxelas virou um alvo das atenções da mídia recentemente e o motivo é bastante forte: dois atentados terroristas que atingiram a cidade há uma semana. Desde então as autoridades aumentaram o nível de alerta da Bélgica para o máximo e continuam em busca pelos culpados das atrocidades. A população também reagiu à sua maneira; essa reação tomou a forma de uma onda de conservadorismo e xenofobia que atingem a Europa há tempos e cujas consequências só pioram.

Reações ao ataque

Na última segunda feira, três explosões assustaram os habitantes da Bélgica, duas delas no aeroporto Zaventem e uma na estação Maelbeek. O lugar é sempre muito frequentado, o que impulsionou o número de mortos e feridos, algo que certamente já estava nas intenções dos terroristas responsáveis pelos ataques.

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O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos bombardeios, assim como pelo atentado ocorrido na França em novembro do ano passado. As autoridades já estavam mobilizadas desde o bombardeio francês para a captura dos terroristas envolvidos e também de possíveis representantes dos grupos.

Aeroportos e estações de trem também estão em alerta e implantaram medidas de segurança mais reforçadas para impedir indivíduos suspeitos de entrar no país. Na Bélgica, serviços de trem que partem de outros países tiveram de ser suspensos como medida de prevenção.

Reações da população civil

Ninguém pode culpar a população civil europeia por não querer voltar para suas casas como se nada tivesse acontecido após essa nova onda de atentados. O problema é que essa reação tomou uma forma xenófoba e conservadora que na verdade não ajudará a ninguém.

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O clima europeu já aguentava razoável tensão graças à imigração em massa de cidadãos sírios que fogem à guerra civil e à tirania de seu país de origem. Partes do povo europeu já se recusava a aceitar os imigrantes como cidadãos comuns e passou a tratá-los como pessoas de segunda classe que só prejudicavam o país.

Agora após os atentados, imigrantes, não só sírios, estão sofrendo as consequências mesmo que não tenham a menor ligação com #Terrorismo ou violência. Essa onda conservadora é contra qualquer tipo de imigração para os países europeus e se recusa a aceitá-los com o mínimo de decência.

O ponto mais marcante da reação xenófoba europeia chegou com a declaração da Polônia que não receberia mais sua parcela de imigrantes, como ficou combinado num tratado da União Europeia para lidar com a migração em massa.

E o que isso tem a ver com terrorismo?

Na verdade, a xenofobia que a população europeia mostra em relação à população de origem islâmica tem tudo a ver com o terrorismo. De onde será que os seguidores do Estado Islâmico saem? De países cheios de conflitos como Síria, Afeganistão e Iraque? Sim, alguns dos envolvidos partem desse países mesmo, mas não a maioria.

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Boa parte de quem se junta ao EI veio da Europa. A principal motivação para que alguém se junte a grupos extremistas e terroristas vem do isolamento proporcionado pelo preconceito e pela xenofobia. Como cidadão de segunda classe alguém de origem islâmica se sente isolado, sem perspectivas de melhoras na vida e é alvo fácil para a propaganda extremista de grupos religiosos.

Isso quer dizer que através dos atentados à Bruxelas e à Paris o Estado Islâmico conseguiu criar uma situação de isolamento para grande parte dos migrantes na Europa. Um verdadeiro campo de cultivo para sentimentos de ódio que serão utilizados nos recrutas da organização terrorista. Eventualmente isso gerará mais e mais ataques, mais mortes e mais ódio completando o ciclo vicioso do terrorismo que os cidadãos europeus conservadores ajudaram a alimentar. #Ataque #Ataque Terrorista