A corrupção e o desvio de dinheiro público no Brasil têm sido assuntos recorrentes da mídia e dos brasileiros. Há o caso da investigação do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, que no último dia 4 foi interrogado pela Polícia Federal brasileira, onde uma parte da população acredita que Lula é o principal beneficiado com o esquema de corrupção que explode na “democracia brasileira”. 

Mas nem todos os brasileiros e alguns líderes políticos internacionais pensam assim acerca de Lula. Exemplo é o ex-presidente espanhol, Felipe González, que, nesta quinta-feia (10), ratificou apoiar e ter amizade com Lula. Felipe, que é do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), falou ter ficado consternado pelo modo coercitivo que Lula foi levado a depor, pois ele entendeu que o colega do Brasil não se negou a fazer o depoimento. 

A abordagem do assunto foi feita por meio de uma entrevista coletiva na USP - Universidade de São Paulo, onde González recebeu a cátedra denominada José Bonifácio, do centro Ibero-americano, salientando que no Brasil pode estar ocorrendo o que ele denominou de "Governo dos juízes", isto é, quando o Judiciário é quem impõe leis em detrimento e substituição das funções do Legislativo e do Executivo. 

Na realidade, González é o 1.º representante da política europeia a manifestar solidariedade a Lula contra a operação coercitiva que esse último vivenciou, mas tanto Evo Moraes da Bolívia, Nicolás Maduro da Venuzela e o ex-presidente chileno Ricardo Lagos já tinham se posicionado ao lado de Luiz Inácio. 

González afirmou sobre a operação que haverá “um antes e um depois, um novo cenário que definirá comportamentos diferentes, tanto de responsabilidades políticas como de responsabilidades empresariais.

Publicidade
Publicidade

Entretanto, o espanhol fez questão de sinalizar que “somos todos iguais perante a lei”, inclusive Lula. 

Foi dada uma aula na USP por Felipe González, que levantou a bandeira de quão importante é que os 3 poderes da democracia - Executivo, Legislativo e Judiciário - estejam em posições equilibradas, ou seja, o Judiciário deveria ser independente na aplicação das leis; mas que há a chance de sofrer desvios na democracia, ainda mais quando existe um “Governo dos juízes”, reiterou González. 

A política está degradada e por isso há a necessidade de que alguém seja um antipolítico, talvez os juízes, que estão sendo elevados à categoria de heróis por traduzirem os objetivos e as emoções da população; todavia, os juízes não devem ser superiores a vontade da população como uma sociedade globalizada.

Publicidade

Felipe complementou dizendo: “gosto dos juízes, mas prefiro os que se dirigem às pessoas por sentenças, resoluções e autos judiciais. São os mais sérios e respeitáveis”. Fica claro então que González defende, como disse, a "presunção de inocência sobre a qual se baseia o Estado democrático de direito”.  #Petrobras #Crise no Brasil