Os Estados Unidos e Cuba finalmente parecem que vão superar suas diferenças ideológicas, após décadas de distanciamento político e econômico. Em visita ao país caribenho, o presidente norte-americano Barack Obama demonstrou muito interesse em abrir o mercado para os cubanos e colocar um ponto final na discórdia que acomete os dois países desde os anos de 1960, no período da Guerra Fria. Neste período, Cuba tornou-se uma poderosa aliada da União Soviética para combater o "capitalismo impiedoso" da terra do "Tio Sam".

O encontro desta segunda-feira, dia 21 de março, na capital Havana, demonstrou que Obama não viajou para o país vizinho somente para uma visita cordial e acertar algumas questões burocráticas.

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O novo presidente cubano, Raúl Castro, irmão do ex-ditador Fidel, recebeu com otimismo as promessas do governo norte-americano, apesar de alguns temas, como os direitos humanos, ainda causarem certa discórdia entre ambos. As partes começaram a se entender em uma reunião da #ONU (Organização das Nações Unidas), em dezembro de 2014. 

Obama viajou para Cuba acompanhado de diversos legisladores - inclusive do Partido Republicano - e foi enfático ao afirmar que chegou o momento dos países acertarem seus ponteiros e caminharem juntos. O presidente dos #EUA admitiu que em mais de 50 anos de embargo econômico sobre os cubanos, nenhuma das partes levou vantagem. Pior: Cuba, isolada geograficamente de outros países com ideologias socialistas, viu sua economia ruir durante o período do embargo.

Em entrevista coletiva, concedida no Palácio da Revolução, Obama ressaltou que a decisão cabe ao Congresso, de maioria republicana, mas que a possibilidade de essa novela ter um final feliz é uma realidade próxima.

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"O que fizemos em 50 anos não serviu nem para nossos interesses, nem aos cubanos. Seguimos fazendo algo que repetidamente não funcionou, por isso faz sentido tentar algo novo. Não vemos Cuba como uma ameaça para os Estados Unidos", afirmou Obama aos jornalistas.

Fim do embargo

O ainda presidente dos Estados Unidos foi curto e grosso ao falar que "o embargo vai acabar", deixando claro que isso ocorrerá com qualquer presidente que irá sucedê-lo na Casa Branca. Por enquanto, as prévias do Partido Republicano e do Partido Democrata indicam que Donald Trump e Hillary Clinton irão se digladiar nas eleições agendadas para o dia 8 de novembro.

Barack Obama e Raúl Castro só esquentaram um pouco o clima quando responderam perguntas de repórteres presentes, interessados em saber a situação de presos políticos e direitos humanos. Os dois lados demonstraram desejo em manter as conversações abertas sobre o delicado tema, para que não haja mais empecilhos na reaproximação entre Estados Unidos e Cuba. A intenção é que neste momento, em que a diplomacia está em alta, não haja espaço para que uma "fagulha" de discussão coloque tudo a perder, especialmente pela questão dos direitos humanos. #Comunicação