A visita de Barack Obama na Argentina demonstra que o presidente norte-americano está decidido a reatar de vez as relações diplomáticas com diversos países da América Latina. Na quarta-feira (23), após elogiar o desenvolvimento econômico argentino sob o comando do recém-empossado Mauricio Macri, desta vez o mandatário dos #EUA reservou suas observações para fazer uma espécie de mea culpa quanto ao período das ditaduras nas Américas, em evento realizado nesta quinta-feira (24).

Obama foi direto ao admitir que os Estados Unidos não agiram de forma correta durante o período em que o regime militar assumiu o poder na Argentina, no período compreendido entre os anos de 1976 e 1983.

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Na ocasião, a potência teve papel fundamental para que os militares impedissem que a democracia prevalecesse, o que causou milhares de mortes e desaparecimentos. A ditadura argentina é considerada uma das mais violentas que se tem registro até hoje. Outros países do continente, como Brasil e Chile, também foram vítimas das ditaduras patrocinadas pelos EUA.

"Há controvérsias sobre as políticas dos Estados Unidos no início destes tempos sombrios", reconheceu o presidente Barack Oama, após realizar uma visita ao memorial das vítimas da ditadura. Os EUA, apesar de negarem durante vários anos a participação no Golpe de Estado, agora estão dispostos a liberar documentos confidenciais referentes ao período da ditadura, que possam vir a esclarecer inúmeros fatos não elucidados na época.

Em busca de diplomacia

Barack Obama, que esteve em Cuba no início da semana, já havia abordado o tema sobre os direitos humanos com o presidente cubano Raúl Castro.

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Ambos demonstraram diferenças em relação ao tema, mas as conversas convergiram para que os Estados Unidos suspendam de vez o embargo econômico e político impostos sobre os cubanos desde os anos de 1960. Os acordos entre os antigos rivais já vão entrar em ação, o que indica um cenário positivo para que Cuba deixe seu isolamento geopolítico. 

Quanto aos argentinos, Obama esclareceu que os Estados Unidos demoraram para agir. "Democracias precisam ter coragem para reconhecer quando não cumprem os ideais que representam, e fomos lentos em falar sobre direitos humanos, e foi o caso aqui", afirmou o principal líder das potências ocidentais, em coletiva de imprensa realizada em Buenos Aires. Diversos documentos que detalham a ditadura argentina serão entregues para as autoridades competentes, agora sob o comando de Mauricio Macri, para análises e possíveis punições de quem escapou ileso quando a democracia foi restaurada. #Comunicação #Crise