“Panama Papers” consistem em mais de 11 milhões de documentos, vazados da firma de advocacia Mossack Fonseca, que é uma empresa do Panamá especializada em serviços offshore. O termo “offshore” é usado para identificar tanto empresas quanto contas, abertas nos assim chamados "paraísos fiscais" – países ou regiões autônomas que facilitam a aplicação de dinheiro estrangeiro, oferecendo tributações baixas ou até mesmo nulas nas operações financeiras.

A origem do termo offshore remonta à época dos corsários, que eram piratas autorizados por governos a saquearem navios de outras nações. Tudo o que era saqueado nos mares era depositado off-shore, ou seja, fora da costa.

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Uma vez que a grande maioria dos paraísos fiscais fica em ilhas, o termo acabou se popularizando.

Comumente, as offshores são usadas em casos de evasão fiscal, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e até mesmo tráfico, tanto de drogas quanto de armas.

O vazamento dos documentos

Os documentos vazados consistem na assombrosa quantia de 2,6 terabytes de dados (2.600 gigabytes), que foram cedidos por uma fonte anônima ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, a publicação de maior circulação germânica, com sede em Munique, que por sua vez, compartilhou os arquivos com o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), ou Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Compreendendo o período entre 1977 e dezembro de 2015, o escândalo é um dos maiores vazamentos de dados de todos os tempos, pois envolve o nome de muitos chefes de estado e famosos.

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Durante um ano inteiro, o ICIJ envolveu na investigação do caso cerca de 80 países e mais de 100 publicações distintas, e agora o resultado de todo o trabalho foi publicado. No Brasil, participaram da investigação o jornal O Estado de São Paulo, Rede TV! e UOL.

Mossack Fonseca

Mossack Fonseca é uma grande firma de advocacia internacional fundada em 1977, com sede no Panamá, especializada em auxiliar na criação de empresas offshore localizadas em paraísos fiscais. Possui filiais em mais de 40 países ao redor do mundo.

Mesmo com o vazamento, a Mossack Fonseca alega que “opera acima de qualquer suspeita” há mais de 40 anos.

Quem está envolvido no mundo

Os jornalistas investigativos encontraram os nomes de 143 políticos, 12 dos quais são líderes mundiais, além de seus familiares e colaboradores próximos. Entre estes estão Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, Sigmundur David Gunnlaugsson, primeiro-ministro da Islândia e Maurício Macri, presidente da Argentina, entre outros.

Durante as investigações, surgiram outros nomes famosos, como por exemplo, o jogador argentino Lionel Messi, o violoncelista Sergei Roldugin e até mesmo o ator Jackie Chan.

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Envolvidos no Brasil

A Operação Lava Jato já havia investigado a Mossack Fonseca em sua 22ª fase sob a suspeita de ter escondido a identidade dos verdadeiros donos do famoso “triplex do Guarujá”. Além do que já foi investigado pela Lava Jato, os documentos vazados ontem, domingo (3), revelam que o escritório de advocacia vendeu ou criou empresas offshore para políticos e familiares de 7 partidos: PTB, PSD, PSB, PDT, PP, PMDB e PSDB. Entre estes estão, ambos do PMDB, o presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, e o senador Edison Lobão, além do ex-ministro da fazenda Delfim Netto, entre outros. #Crime #Corrupção